segunda-feira, 16 de julho de 2018

JUSTICEIRO – FASES CLOONAN E ROSENBERG

O Justiceiro, né?
Sou suspeitão pra falar qualquer coisa do Justiceiro – batizado Francis Castligione, mais conhecido como Frank Castle –, todo mundo que me conhece a fundo (UI!) sabe disso.
Fizeram de tudo com o personagem criado pelo escritor Gerry Conway e pelos artistas Ross Andru e John Romita, Sr., enfim batizado pelo Stanley “Stan Lee” Lieber, cuja primeira aparição foi na edição 129 de The Amazing Spider-Man, de 1974, até poderes angelicais pra ele caçar demônios e outras porras from hell. Sorte que não durou muito. A nível midiático, só não botaram o cara pra cantar e dançar e ser mestre cuca... De resto... É, muita coisa, eu que ‘tô falando merda, já...
Apesar de altos e muitos baixos, é de consenso geral que a melhor fase dele, aclamada por crítica e público, foi a roteirizada pelo Garth Ennis (já falei muito disso por aqui, mas ‘tô com preguiça de procurar os posts) até meados da década passada. Um dia, eu upo tudo desse interim pra geral baixar, mas um belo dia encontrei TUDO dele no GetComics, num Überpacote de TREZE FUCKING GIGAS. Se tiveres espaço no HD e tempo e disposição suficientes pra ler EM INGLÊS (ah, pensou que seria tudo em português/português brasileiro? “Pensou errado, otário!”) nesse link aqui.

Mas, sim, simbora pro que interessa.
Becky Cloonan e Matthew Rosenberg no Justiceiro.

A Cloonan não é uma roteirista ruim, de verdade. Ela dá muitas forras.
Ai ela, em 2012, deu o azar de trampar com o Brian Wood (cuja magnus opus, na minha opnião, é DMZ, da Vertigo [que também comentei aqui]) em Conan, quando ainda era da Dark Horse, quando só todo mundo caiu matando em cima da dupla por ter zoado o Cimério na clássica saga A Rainha da Costa Negra (“diretamente” adaptada do conto homônimo do também supramencionado pra caralho Robert Ervin Howard). Mas convenhamos que eles pegaram as cadeiras que foram SÓ do Kurt Busiek e pelo Cary Nord e pelo Dave Stewart. SÓ. DO. KURT. BUSIEK. E. DO. CARY. NORD. E. DO. DAVE. STEWART. Se eles não tivessem chego antes, ninguém ia frescar com a nova abordagem deles.























































Papo furado. Ia sim. Eu mesmo detonei os dois. Falei pra caralho. Quis que fossem empalados e eviscerados e queimados em praça pública. Ninguém que curte Conan curtiu. Se fosse outro personagem, criado por ela e pelo Wood – ainda que inspirado, descaradamente inspirado no Conan –, porra, beleza. Não com o Conan.
Ai quando ela foi escalada pro Justiceiro, como roteirista, TODO O UNIVERSO ficou “égua, não”.
“égua, não”
“égua, não”
“égua, não”
“égua, não”
Ela fez TODO O UNIVERSO
COLOCAR 
A
LÍNGUA
NO
CU

Nosso problema – de nós, fãs do Justiceiro – queríamos que todo roteirista fosse um Garth Ennis. Beleza, né?
A gente se fudeu.
O Kid Bengala bateu de pau mole nas nossas caras quando vimos Franken Castle pra colocar o Frank “de volta” no universo 616. Isso na década passada. Então que a gente passou a ler meio que no automático. Ai a Marvel rebotou de novo (eu nem vou comentar essa porra de reboot aqui, que foi só pra passar raiva, pra compensar toda a raiva dos últimos reboots e grandes sagas da DC). SÓ QUE o Nathan Edmondson (Viúva Negra, X-Men, a leitura porrada obrigatória, da Image, Who Is Jake Ellis?, que todo mundo deveria ler!!!!) e Kevin Maurer (Homem de Ferro, Hulk, NinjaK), no roteiro, com arte de Mitch Gerads (Doctor Who, Sr. Milagre, Batman) e Carmen Carnero (Novos 52, Mulher Maravilha, SuperGirl) salvaram a pátria. E salvaram a pátria pra caralho. Histórias do Justiceiro tendo Forças Armadas como coadjuvantes sempre são do caralho, vide o clássico Retorno ao Grande Nada.
E então que escalaram a Cloonan pra próxima roteirista do personagem. Todo mundo – público e crítica – ficou “porra, ela não, ela zoou o Conan” (esquecendo tudo de bom que ela fez na DC e na Marvel e na Dark Horse [infelizmente não conheço nada de autoral dela – ainda não]). Preciso repetir o que ela fez, tendo como escudeiros Steve Dillon (lê Justiceiro, né? então não preciso apresentar), Matt Horak (Dr. Crowe, Out of the Blue, The Covenant), Laura Braga (Witchblade, Mulher Maravilha, DC Comics: Bombshells) e Iolanda Zanfardino (Doctor Who)? Preciso, sim.
ELA FEZ A GENTE COLOCAR A LÍNGUA NO CU.
De quebra, ainda, e ainda que de modo particular, fez uma homenagem à fase Garth Ennis/John McCrea, que começou na clássica e também obrigatória Hitman, da Vertigo (que também cansei de falar bem por essas bandas). Ela, com muitas doses (precisas) de tensão, pegou tudo o que faz do Justiceiro Justiceiro – sangue, ultraviolência, palavrões, mortes absurdas, situações absurdas, muitas armas e muitas balas, gente inocente morrendo no fogo cruzado, vilões megalomaníacos críveis que adoramos odiar, eu já falei do sangue e da ultraviolência? –, como a gente gosta e ama, e, em doze edições publicadas entre 2016 e 2017, nos deu o Justiceiro, como a gente gosta e ama. E o melhor: tudo “fora” do universo Marvel. Fodam-se capas e armaduras e superpoderes. Só caos, violência, destruição e morte.
Alguém faz uma estátua dessa mulher do tamanho da porra da estátua da liberdade? Por favor? Por favorzinho? Por obséquio? Façam logo, porra.
CASA COMIGO, SUA MARAVILINDA! TE DOU CASA, COMIDA E ROUPA LAVADA!

E então ela teve que passar o bastão.
Situemos aqui, é muito necessário fazê-lo, que o pessoal da Marvel não aprende e quer coloc... acaba colocando o Justiceiro de qualquer jeito nas supesagas doentes mentais anuais ou bienais. A última cagada foi Império Secreto, quando inventaram do Capitão América ser um agente infiltrado da Hidra desde sempre. “Ah, e o Castle? Vão deixar o Castle fora dessas? Por favor, deixem ele [sic] fora dessa.”
Porra nenhuma.
A GRANDE IDEIA DE JERICO DO CARALHO foi colocar o cara como aliado da Hidra (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) porque eles iam dar a senhora força em seu combate contra o crime organizado. DE ONDE TIRARAM A PORRA DA IDEIA DE UMA ORGANIZAÇÃO TERRORISTA DAR O SUPORTE TÉCNICO A UM VIGILANTE COMBATER O CRIME ORGANIZADO?!?
Castle – como sempre – se saiu quando viu que o tempo fechou pro lado dele e ia dar ruim. “Viva para lutar outro dia”, o negócio é mais ou menos assim.
E então que o Fury teve a grande ideia de dar a ele a armadura do Máquina de Guerra – James “Rhodey” eu SEMPRE achei esse apelido tanto ridículo quanto desnecessário Rhodes –, morto pelo Thanos nos primórdios da saga anual doente mental Guerra Civil II. Apontemos que esta é posterior a Império Secreto, sendo uma consequência deste evento. É aí, nessa edição, que o Rosenberg entra na jogada.
Em idos de 2010, 2011, fiquei totalmente na onda com a presepada de colocar o Justiceiro pra ser caçado pelos Vingadores, sob teleguiação do Cuzeiro-Aranha. As trolladas que o Castle deu no Stark foram impagáveis. Ele brincando de gato e rato com a vodka Romanoff foi impagável. Ele sacaneando o Aranha e o Capitão América foi impagável. Mas também só isso. Eu só queria saber como o cara FUGIU da prisão de segurança máxima do Stark, deve ter sido algo meio A Fortaleza, com o Deus do Trovão, Raiden, MORTAL KOMBAAAAAAAAAAAT! Christopher Lambert (clássico dos anos 90 que todo mundo que curte ação e ficção cientifica distópica tem a obrigação de ver).
(não achei nenhum trailer legendado decente então vai esse mesmo)
O papo é: o Fury deu a armadura do Rhodes pro Castle tirar um déspota europeu do poder. Mas só isso. O Castle viu que não seria fácil assim (aham, ‘tá bom que seria) e tocou um foda-se do tamanho do mundo pro Fury e matou o cara. Bem, era o que se esperasse do Justiceiro. O Fury não esperava isso. Na verdade, eu não sei quais foram as drogas que ele tomou pra alimentar tal fé, mas eu sei que eu quero isso se eu já não tomar e não sei que eu tomo. Ai a grande surpresa: nosso amiguinho Frank liga-se um foda maior ainda e volta pros EUA com a armadura pra combater o crime organizado com ela. Preciso mesmo falar o quanto a (Carol) Danvers (i.e., a Capitã Marvel), namorandinha do Rhodes, ficou putaça pra caralho quando soube? Preciso falar do toco que o Castle deu nela e no Cage e no Grimm (!!!) quando foram atrás dele?
Quem leu Justiceiro Massacra o Universo Marvel, de 2001, sabe o quanto o lindo o Frank descendo o caralho na superheróizada.

Agora é o cara, junto com a vodka Romanoff e o casal gay do Capitão América Soldado Invernal, indo atrás do Zemo e da Hidra (depois de apagar a Tremor e o Gavião Arqueiro eu já não curtia o cara, ainda mais depois que ele saiu dos Vingadores e virou piadista road movie), resolver o que o Fury, a S.H.I.E.L.D. e o Rogers enrolaram mais de cinquenta anos pra fazer. ‘Tô apostando que, na hora do vamos ver, o Rogers não vai deixar o Castle matar o Zemo, dizendo pra levar o cara pra justiça internacional na qual nenhum criminoso de guerra de origem estadunidense foi sequer julgado, jamais devemos esquecer e o filho da puta vai se safar e rir da cara de todo mundo.  Mas é a Marvel subsidiária da Disney. Fazer o quê? Só ficar puto mesmo.

Balanço geral: a Cloonan marcou seu nome a ferro e fogo na lista de argumentistas do personagem, revisitando tudo que os fãs curtem. Rosenberg manda até que bem, mas eu admito ainda estar na onda com ele inserido no meio das presepadas dos super-heróis. Bora esperar pra ver como isso se desenrola.

Segue o barco!

quinta-feira, 12 de julho de 2018

COUNTERPART - primeira temporada comentada (por alto pra não estragar toda a surpresa)


Acabei de ver a primeira temporada da série Counterpart. Vi a chamada na TNT na casa da tia Elzenir (a pra quem ainda dou alguma moral e alguma relevância, diga-se logo) no dia do aniversário dela. E “olha, tem o J.K. Simmons, não tem como ser ruim”. Dito e feito.
J.K. Simmons – batizado Jonathan Kimble Simmons –, vencedor do Oscar, do SAG e do Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante por Whiplash, de 2014 (também indicado para Melhor filme, Melhor roteiro adaptado, Melhor montagem e Melhor mixagem de som, vencendo os dois últimos). Eu o conheci quando vi Oz, nas madrugadas do SBT, e virei fã quando interpretou o assistente-chefe Will Pope, em The Closer (no Brasil, quando passava nas madrugadas do SBT, Divisão Criminal) que sempre dava um jeito de limpar o rabo das presepadas feitas pela Brenda Leigh Johnson, interpretada pela maravilhosa Kyra Sedgwick (Possessão, Gamer, O Lenhador, Fenômeno). Ai tratei logo de baixar. Tive um trabalho do caralho mas consegui. E toma-lhe-te maratona.
Só posso resumir Counterpart da seguinte maneira: é Fringe que deu certo. Muito certo. Não há excessos. Não há brechas. E também não há em quem confiar de verdade e motivações verdadeiras. Sempre tem algo mais por baixo do pano e ninguém sabe de tudo. Quem sabe (o pessoal do Quarto Andar se é que eles sabem de tudo mesmo, o que eu veementemente duvido) não se mostra.

Afinal: qual o enredo?

Na Alemanha (TINHA QUE SER NA ALEMANHA!) do fim da Guerra Fria, durante experimentos científicos, descobriram a passagem para uma Terra paralela. Uma igual à nossa, mas com variações politicas, sociais, tecnológicas e econômicas – e históricas, obviamente. As duas entraram em um acordo diplomático e assim se mantém até 2018. SÓ QUE em 1996, há uma epidemia de gripe na Terra paralela que eles culpam a nossa por ter acontecido.
Quanto a incidente que descobriu a Terra paralela: é algo a ser explicado na próxima – e, segundo o próprio Simmons, também produtor executivo – ultima temporada.
Mas até ai, ok. Já posso dizer que também rola um jogo de espiões fudido? E que todos eles não sabem o que está realmente acontecendo de fato – como sempre acontece? E sempre pode acontecer o pior, como o Howard Silk (interpretado pelo Simmons, obviamente) descobrir que tem uma parte dele na outra parte (que interpreta magistralmente, diga-se logo) e que os dois tem menos semelhanças do que parece. Afinal, “outra Terra...”
 E A PARTE QUE ELES SE ENCONTRAM É UMA DAS MELHORES DA SÉRIE! No fim, acaba sendo um jogo de gato e rato, onde todos são gatos e ratos (o Silk da Terra original acaba sendo o eterno rato que, quando acredita ter chego a algum lugar, ou chega a um lugar nenhum ou a um pior do que estava).
E como tudo pode piorar, lembram o que falei da gripe de 1996 na Terra paralela? O pessoal de lá ficou BEM PUTO a ponto de fazer um grande ataque terrorista, recrutando crianças de lá que tem seus iguais aqui pra vir pra cá, tomar o lugar delas e fazer um grande ataque aqui “pra dar a forra”. E, segundo a Clare (interpretada pela Nazanin Boniadi [Homeland]) diz pro marido dela, o Kaius..... Peter (interpretado pelo Kaius. Opa! Pelo Harry Lloyd [Doctor Who]), vice-diretor da seção secreta da ONU responsável pela diplomacia com a outra Terra – então dirigida pelo Roland Fancher (interpretado pelo Richard Schiff [Seven, Dr. Dolittle, Impacto Profundo]) –, o negócio ainda vai ficar mais tenso e doido e a puta que pariu toda. 
Esperemos a segunda temporada.
Infelizmente só ano que vem.
♪♫I’ll be coming home next year♫♪

“FELIZ ANIVERSÁRIO!” e “MUITOS ANOS DE VIDA!” pra Raissa Baldez e pro Marcelo “Uchiha” Lima, que fizeram aniversário essa semana, e pro Matheus Benassuly, que fez aniversário semana passada!

HAIL!!!!!

terça-feira, 10 de julho de 2018

OS INTRUSIVOS - PSICOSE E DEPRESSÃO - 2016

Demorou, mas lembrei do blog, né? Como o mestrado anda parado, eu acabei tocando outros projetos, bebendo umas aqui e ali, indo ao Pavulagem, comendo, dormindo, revisando, lendo HQ/poesia/prosa, sonhando acordado. In Westen Nicht Neues, já disse Remarque.
O Leonardo Barbosa, brother meu da UFPA que conheci pelo Aulus e pelo Cadáver, volta e sempre ‘tá me apresentando uma banda brasileira nova. Ontem foi a vez d’Os Intrusivos, banda cearense (¡LIEBE DICH, CEARÁ!), descaradamente influenciada pelos Ramones, só que com letras muito melhor elaboradas e músicas muito mais trabalhadas (mas afinal qual banda depois dos Ramones não tem letras muito melhor elaboradas e músicas muito mais trabalhadas que eles?!? NÃO RESPONDAM!)
Então, sem mais delongas, bora lá

OS INTRUSIVOS
PSICOSE E DEPRESSÃO
2016

PSICOSE E DEPRESSÃO
Atritos tão diretos atormentam o meu ser
São frutos do meu ódio que eu não posso ver
Naquela noite eu andava procurando algo mais
Mas no caminho eu encontro um pobre rapaz

Na sua cara estava escrito
Psicose e depressão
Na sua cara estava escrito
Psicose e depressão

VOCÊ QUEBROU MINHAS PERNAS
Você quebrou minhas pernas
Você levou aquele rádio
Você roubou o meu dinheiro
Você tomou minha paciência

Você surrupiou meus bens
Você levou minha saúde
Você arranhou os meus discos
Você perdeu todas as chances

E ainda assim, o culpado sou eu (tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo eu)
E ainda assim, o culpado sou eu (tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo eu)
E ainda assim, o culpado sou eu (tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo eu)
E ainda assim, o culpado sou eu

ESTÁ TUDO OK
Minha doença de chagas está normalmente ok
Minhas esquistossomose, está tudo ok
Minha varíola sempre esteve ok
Sem contar minha azia, ela está ok

Sinto-me saudável faltando algo mais
Mas confesso que gosto muito disso
Sinto-me saudável faltando algo mais
Mas confesso que sou hipocondríaco

Minhas hemorróidas, estão todas ok
Minha cirrose está perfeitamente ok
A antiga leptospirose está ok
Sem contar, minhas neuroses, elas estão ok

Sinto-me saudável faltando algo mais
Mas confesso que gosto muito disso
Sinto-me saudável faltando algo mais
Mas confesso que sou hipocondríaco

EU ENXERGO ALÉM
Esse brilho todo de onde vem?
Me deixa aqui, eu estou bem
A boca seca e uma metralhadora de pensamentos
E um moinho de sentimentos

Os risos afrouxam até o cachorro latir
E todos caem de tanto rir
O mundo anda tão careta
E todos aqui estão em outro planeta

Eu enxergo além do que eu queria ver
E penso no que eu poderia ser
Acende o lampião não deixa faltar luz, cidadão
Quietude e plenitude se confundem com virtude

TUDO O QUE EU QUERIA ERA VOCÊ
Me entreguei a você, oh menina
Mas resultou numa maldita confusão
Senti então a minha vida dividida
Sem explicação

Por que raios isso foi acontecer?
Por que diabos isso foi acontecer?
Por que caralho isso foi acontecer?
Vou te dizer: porque tudo o que eu queria era você

(por você) por você fiz tudo o que eu não podia
(e chorei) estourei todas as veias da minha vida
(mas por que?) mas o que eu não consigo entender

Por que raios isso foi acontecer?
Por que raios isso foi acontecer?
Por que raios isso foi acontecer?
Por que raios isso foi acontecer???

Por que raios isso foi acontecer?
Por que diabos isso foi acontecer?
Por que caralho isso foi acontecer?
Vou te dizer: porque tudo o que eu queria era você

POR QUE VOCÊ É TÃO RUIM COMIGO?
Eu pensei muito antes de te perguntar
Eu não quero ser grosso mas vou ser se precisar
Mas parece que as coisas vão mudar

O que era bom agora parece castigo
Quero saber por que você é tão ruim comigo

Você sempre foi uma boa companhia
Das coisas boas, de passar todo o meu dia
Mas parece que as coisas vão mudar

O que era bom agora parece castigo
Quero saber por que você é tão ruim comigo

VONTADE DE SAIR
Como uma flor que seca
Como um sol que se põe
Como um trem que parte
Como um pássaro que vai, você se foi

Depois de tudo ainda penso em você
Nos momentos vivos em minha mente
Que um dia me destes
Mas partiu, se foi

E doeu, aqui  
dentro de mim
Sinto um entalado na garganta
Vontade de chorar

E doeu, aqui dentro  
de mim
Sinto um entalado na garganta
Vontade de sair, por aí

VAI ENCHER O SACO DE OUTRO
De manhã mal acordo
Mal me visto, mal me calço
E quando raciocino
Já estão enchendo o saco

Já pedi, mas ninguém entendeu
Vai encher o saco de outro e não o meu

De tarde mal trabalho
E mal ganho o meu salário
E de hora em hora
Já estão enchendo o saco

Já pedi, mas ninguém entendeu
Vai encher o saco de outro e não o meu

INSENSÍVEL
Estou farto, não estou em paz
Você me tirou tudo e ainda quer mais
Estou farto, não estou em paz
Você me tirou tudo e ainda quer mais

Vou te tratar  
do jeito que você faz
Eu vou mostrar pra você do que sou capaz

Todo dia me iludia
Quero me vez livre de você
Todo dia me iludia
Quero me vez livre de você

Não aguento  
mais seu jeito
E a angústia que me traz

Você é insensível, não te quero mais
Você é  
insensível, não te quero e

Vou te tratar do jeito que você faz
Eu vou mostrar pra  
você do que sou capaz
Vou te tratar do jeito que você faz
Eu vou mostrar pra você  
do que sou capaz

CACHAÇA
Pega um litro de cana e bota uma dose pra nós
Dizem que a cachaça é boa pra voz
Corta o limão e tira o sal do pacote
É assim que os Intrusivos fazem o shot

E vira um, e vira dois, e vira três, e vira quatro
E vira cinco, e vira seis, e vira sete, e vira oito
E vira nove, e vira dez

Quando eu ficar "bêbo", eu aviso, eu prometo
Aviso caindo no chão

E vira um, e vira dois, e vira três, e vira quatro
E vira cinco, e vira seis, e vira sete, e vira oito
E vira nove, e vira dez

Pega um litro de cana e bota uma dose pra nós
Dizem que a cachaça é boa pra voz
Corta o limão e tira o sal do pacote
É assim que os Intrusivos fazem o shot

E vira um, e vira dois, e vira três, e vira quatro
E vira cinco, e vira seis, e vira sete, e vira oito
E vira nove, e vira dez

Quando eu ficar “bêbo”, eu aviso, eu prometo
Aviso caindo no chão

Aviso caindo no chão
Aviso caindo no chão
Aviso caindo no chão

Pega um litro de cana e bota uma dose pra nós

DALTÔNICO
Eu sou daltônico e não vejo o vermelho do seu amor
Eu sou daltônico e quero ir com você aonde você for

Sei que às vezes posso parecer ignorante
Mas eu posso te provar em apenas um instante

Eu sou daltônico mas pra mim o amor não é só uma cor

UM BODEGUEIRO NA FIEC
Você não faria a menor falta
Num dia de domingo no Beach Park
Eu não te levaria nem morta
A passear comigo no Iguatemi
Eu não me atreveria a passar vexame
Perante os meus amigos lá da Aldeota
Pois agora eu tenho o maior respaldo
Nas altas paneladas da alta sociedade

Eu sei que a burguesia fede
Mas tem dinheiro pra comprar perfume
E além do mais o high society
Leva chifre e não tem ciúme
Eu sou “in”, não sou “out” – eu sou VIP

Agora com você eu não quero nem ovo
Eu sei que o meu passado agora me condena
A sua presença só me prejudica
Suja a minha glória, borra a minha fama
Pois hoje eu sou pessoa muito benquista
Com muita influência no meio das rodas
Até já fui chamado pra dar palpite
Na vida sexual da Primeira Dama

INTRUSA
Não vou estudar assim
As possibilidades que você deixou
Pra absorver todo o seu querer
E sua arrogância que por um instante
Me enganou

Nunca enganará
Nunca me enganou
Mas nunca enganará
Nunca me enganou

PARANJANA
Eu já juntei minhas trouxas e não me importa mais
Não sei se vou voltar
Peguei o Paranjana, dele não vou sair
Com ele eu vou rodar

Sentei num banco de deficiente que
Nunca mais vai sentar
Todos olham pra mim como se eu fosse assim
Cara débil mental

Mas eu confesso que se eu descer daqui
E o Paranjana há de passar
Mas eu confesso que se eu descer daqui
E o Paranjana há de passar
E eu vou pegar

Paranjana, Paranjana
Quantas saudades de ti
Paranjana, Paranjana
Sempre recordo de ti

Não te esqueço mais

ouça o álbum completo da banda no link abaixo

Espero que tenham curtido!

Até a próxima, porraaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
HAIL!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

HAIL AND KILL - POEMAS E CONTO PUBLICADOS

notícia já ‘tá velha, mas ainda ‘tá valendo:
BOM DIA SÓ PRA QUEM TEVE TRÊS FUCKING POEMAS (pgs. 43 a 48) E UM FUCKING CONTO (pgs. 146 a 149) NA MESMA PUBLICAÇÃO!!!







HAIL!!!

(nota: sim, estes são os poemas que eu disse NESSE POST que seriam publicados)

terça-feira, 3 de julho de 2018

eu tinha quase esquecido de dizer que hoje de tarde conheci uma nova modalidade de filho da puta: o que fica em duas filas na lotérica (na preferencial e a esposa na normal, esperando a vez de ser atendida) do Lider e Magazan da Cidade Nova, atravancando as duas, e ainda quer falar pra todo mundo dos problemas na sua vida, como se tivéssemos algo a ver com isso.
sorte a dele e do universo que tenho cara de mendigo alcoólatra morto de fome drogado. porque, se ele tivesse puxado papo comigo, eu ia falar tanta merda pra esse caralho que nunca mais ele ia pisar numa lotérica com medo de encontrar lá.
cada uma..................

sábado, 30 de junho de 2018

Eu defendo em todos os semestres de todas as formações acadêmicas cursos contínuos de boas maneiras para acadêmic@s, ensinando-@s a dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, “por favor”, “por gentileza”, “agradeço”, “(muito) obrigado” e “com licença” e com direito a estágio obrigatório.
“Um cientista da religião fala sobre religião, um teólogo fala de religião. O cientista da religião está do lado de fora da religião, um teólogo fala de dentro dela. Um cientista da religião fala sobre deus, um teólogo fala de deus.” (PONDÉ, 2015)

sábado, 26 de maio de 2018

INSTANTE SEM DURAÇÃO - poema

INSTANTE SEM DURAÇÃO

“Ao teu olhar tombaram as folhas das árvores
E os tajás vergaram-se para a terra como para alimentar os formigueiros.
Ao teu olhar as nuvens passaram pelo céu límpido de junho e choveu.
Ao teu olhar os horizontes se estenderam e se distanciaram
E os veleiros se perderam entre nuvens ao longe.
Ao teu olhar tudo se transformou.”
– Paulo Plínio Abreu, “Poema”.

O que há em Teus Olhos
Que por Eles e Teu Rosto e Tua Boca
Perdidamente me encantei?
Teus Olhos, Teus Olhos, Teus Olhos
Que almejo me fitarem sem fim à vista
Independente haver ou não fonte de luz
Eles a fonte de luz!
Qual a cor d’Eles Eles refletindo o Sol?
Teu Rosto, Teu Rosto, Teu Rosto
De onde Tu com este Rosto?
Para onde Tu com este Rosto?
Ah!, quem me dera Teu Rosto ser o espelho
No qual quero perder minha face
Através de beijos e cheiros!
Tua Boca, Tua Boca, Tua Boca
Sobre Ela me faltam palavras
– tal qual como a Teus Olhos! –
E se o momento de contato d’Ela à minha
Esta realidade/condição natural e profana
Tomar contato com o Sagrado e Mítico
E nossos beijos se tornarem
Instantes sem duração?
À parte de qualquer verdade
De toda e qualquer realidade
Poderias... Podes ouvir-me suspirando
O quanto desejo passar os polegares e indicadores em Teus cabelos
Enquanto infindamente
Indiscriminadamente
O calor de Teu Rosto ao meu
O sabor de Tua Boca à minha
E contemplando por Teus Olhos ser
E para dentro d’Eles seguir sem qualquer volta
Sendo para sempre Teu através destas
Castanhas estrelas em seu momento apoteótico de fulgor:
Teus Olhos.

:: 25 de maio de 2018 ::

terça-feira, 15 de maio de 2018

RONDONOPOLITANA - poema

RONDONOPOLITANA

Para sempre sinto falta de Vós alvidez
Para sempre sinto falta de Vós contornos
Para sempre sinto falta de Vós gosto
Para sempre sinto falta de Vós peso
E de nossas mãos que têm o mesmo tamanho
E de nossos pés que cabem na mesma sandália.
Mato-grossense, Mato-grossense
Onde estão meus beijos que não aos da Mato-grossense?
Mato-grossense,.. Mato-grossense
Embaixo de qual sol e de qual céu está mais bela e bela das
Mato-grossenses?
Final de tarde, chuva e tarde… Qualquer tarde
Nós deitados, luz apagada, não lembro se sequer chegamos a dormir
Faz muito tempo, muito tempo, há quanto tempo
A cama não fica vazia assim?
O quarto não fica vazio assim?
Faz quantos dias? Faz uma semana…
Parece que foi ontem…
Parece ser em Rondônia, é no Mato Grosso
Tem nome de metrópole mas não cheira igual uma
Infinito onde paralelas se encontram e de onde muitas partem.
Rondonopolitana, Rondonopolitana
Pra muitos um rosto na multidão e um nome em um RG
Pra mim meu Sonho Encantado enfim realizado.
Rondonopolitana, Rondonopolitana
Onde estão os olhos cor-de-lagos-que-refletem-o-sol da Rondonopolitana?
Onde está o corpo praia-onde-as-ondas-se-quebram da Rondonopolitana?
Rondonopolitana;…; Rondonopolitana
Quando sereis meu horizonte diariamente iluminado pela aurora?
E levarei comida e café e água à cama para minha Dona e Senhora?
Quanto tempo a Terra em torno do Sol?
Quanto tempo a Lua em torno da Terra? 
Quanto tempo a Terra em torno do próprio eixo?
Quanto tempo e quantos dias a pé do Pará ao Mato Grosso,
De Belém até Cuiabá?
De Ananindeua até Rondonópolis?
Ananindeuar…
Rondonópolisar…
Quanto tempo até dormir nos braços Dela
E acordarmos em nosso próprio Mundinho e
Paraíso?
Não é pedir demais e pedir muito eternamente permanecer
Com a encarnação do meu Ideal-de-Beleza-e-Graça-em-Forma-de-Mulher
Em tanto tardou mas finalmente aqui comigo.
Que Vós mãos novamente às minhas
E a meus olhos a ternura de Vós sorriso
E a meus ouvidos o lúbrico de Vós suspiros…!
Quanto tempo até a mim Vós um dia…?
Quanto tempo até a mim Vós pelo o que restar dias a
Rondonopolitana?
Perpétua perpetuamente
Infinda infindavelmente
Jazer de próspera forma em
Graças e agrados
Deleitosos beijos e murais pernas e braços da
Entre as Mais Belas a Mais Bela
Rondonopolitana.

:: 12, 14 e 15 de maio de 2018 ::

quinta-feira, 22 de março de 2018

HERMENÊUTICO - poema

HERMENÊUTICO

Faz alguns anos atrás, lembro como se fosse ontem,
O Frango falando no Facebook 
“Quando música sertaneja e pagode fazem sentido na vida, é porque já se chegou verdadeiramente ao fundo do poço”
[era exatamente isso ou alguma merda muitíssimo parecida].
E agora, eu aqui em pé, no Guajará Ver-O-Peso Centenário,
Já li um ensaio inteiro do Benedito Nunes  e outros pra usar na porra do estágio
E o motora  ouvindo no talo
Sertanejo universitário de cotovelo descarado
Eu aqui imaginando
Que deves saber cantá-los de cabo a rabo.
Se os sabes, é porque fazem todo o sentido do mundo pra você
Como hardcore  e Arraial do Pavulagem  fazem pra mim.
E, por mais que eu odeie, até ‘sascanções são texto
E algum(a) desocupado(a) ad extremum  insofismavelmente já se debruçou sobre elas para dissecar analiticamente se valendo de um procedimento metodológico de viés
Hermenêutico.
Será que hoje será lida por tal processo?
Essa semana?
Essa semana, eis-me novamente tendo esperança e sonhos indevidos que não deveriam ser desenvolvidos e alimentados e nutridos.
Talvez seja a última chance de dar um passo firme e sólido e certeiro não sabemos pra onde –
pra onde?

Tudo é Texto
intertexto
intratexto
subtexto
sobretexto
Como se classificam, a nível de texto, sentimentos?
Como se classificam, a nível de texto, desejos?
Como se classificam, a nível de texto, esperanças?
E então finalmente como designar
Sentimentos e Desejos e Esperanças
Simultaneamente
reconfigurados e ressignificados
a nível de
Poesia à
Mulher-Idealizada-e-Desejada-Todo-Santo-Dia
e então investigar tal composição textual a nível
Hermenêutico?

E se esses malditos sertanejos [entre tantos outros]
Juntos comporem, de modus Poeticæ , nossa história
Até então e enfim
Estarmos juntos?

… se é que algum dia então e enfim… 
estarmos juntos

seja ou não
a nível

hermenêutico.

:: 21 de março de 2018 ::

sexta-feira, 9 de março de 2018

[pretensão do poema a ser perfeito e pleno] - poema

[pretensão do poema a ser perfeito e pleno]

Saudade da maciez de Vossos seios
de vosso insofismável Atrair
inquestionável Convidar
de navegar neles dedos como se
canoas de pescadores em fiordes.
Saudades do ensolarar de Vossos mamilos
onde olhos incautos encontram seus fins
por sóis de primeira grandeza serem
em si mesmos.
Quando meus lábios
a Vossos mamilos
obtive sucesso
onde Ícaro não teve
pois
tentou tocar [somente tocar?]
enquanto fixei moradia
(permanente?).
Saudades das copas das árvores ancestrais e atemporais
impávidas e irredutíveis
que carregais ao colo intrínseco
[no qual também habito]
onde posso descansar tranquila e ternamente
seja enquanto
chuva ou sol ou granizo ou neve
ou queda de estações espaciais na Terra,
onde o clima sempre tenro
ameno
agradável
plenamente doce e dócil
e habitável.
Saudades dos rios
que têm Vossos pés enquanto nascentes
e partes mais elevadas
Vossa Vênus e ancas e quadris
– se o conceito e definição de Pureza
Doçura
Inspiração
Poesia
Contemplação
fazem-se inseridos completos e reais e plenos
infinitos em si mesmos
no corpo e na essência toda e qualquer [quaisquer]
Mulher
além de atender a tais parâmetros e propriedades
Sois
composta de luz do coração de estrelas
e todas as pétalas ainda nas flores 
caminho ao qual se chega à
Perfeição
e é esta em si mesma.
Saudades de iluminares a mim somente
choveres a mim e me cobrires
em pétalas
submergir em Vossas Marianas virilhas
indefinidamente
contemplar Vossa constelação
de duas estrelas em linha reta.
Saudades…
de quando a Musa descia para ser fisicamente contemplada
e então eis-me
esperando estrelas e planetas realinharem
para o enfim retorno d’Ela.

:: 07 e 08 de março de 2018, Estágio Supervisionado na Docência: Epistemologia da Religião, Prof. Ph.D. Douglas Rodrigues Conceição ::

sábado, 3 de fevereiro de 2018

KAISA BEIJOS-DE-MOÇA - poema

KAISA BEIJOS-DE-MOÇA

“Não, tu não és um sonho, és a existência 
Tens carne, tens fadiga e tens pudor 
No calmo peito teu. Tu és a estrela 
Sem nome, és a morada, és a cantiga 
Do amor, és luz, és lírio, namorada! 
Tu és todo o esplendor, o último claustro 
Da elegia sem, anjo!”
– Marcus Vinicius de Moraes (1913-1980), “Cântico”.

Como vireis? Como vireis?
Descendo os raios de sol?
Desfilando pelos raios de luar?
Como estareis? Como estareis?
Se vierdes ao Sol,
Vossos cabelos brilharão como a Lua?
Se vierdes à Lua
Cintilarão tal como o Astro-Rei?
Por Vossa voz aparentas ser
A calmaria do lago à qualquer luz
Nele refletida.
Mas então
– Pessoalmente –
Sois um pequeno que torna-se um
Rio estrondoso?
Carrega-me, Musa Correnteza, carrega-me!
Leveis-me em Vosso ventre
enquanto
O mundo sucumbe ante Vossa passagem!
Ou sereis Musa-Rouxinol
Arrulhando aos sussurros aos meus ouvidos
Me pondo para dormir
Com os braços ao redor de Vossas pernas
E cabeça sobre Vosso bojo
Olhos fechados
Quase adormecido
– Esperar-me-eis dormir para
Voltar para onde sois oriunda?
Deixar-me-eis ao Sol para ser acordado aos beijos pela Lua?
Ou à Ela, para ser incendiado pelo Sol?
E, ao despertar, sereis
Lembrança concreta?
Alucinação vívida?
(vivida?)
Delírio (auto-)induzido?
E então perambularei por Mannheimr  com
Vossos cânticos aos ouvidos que infindamente ressoarão
Ao Vosso encalço: insano perscrutar e impossível localização?
Ou
Vós de sacra e em cristais nobres talhada
Voz
Em Vós mesma
Ávida
Arfante
Sôfrega
acordares-me e levares-me
a
Vossos-Lábios-Todos
para em
Vossas unhas
e
Vossas pernas
e
Vossos lábios
me possuir:
me inserindo e me
conduzindo
em Vosso
interior?
Que Vossos calcanhares beijem
de minha cintura a joelhos!
Que Vossas unhas tracem
Pontos e Retas e Curvas e Sinuosidades de meus ombros à alcatras!
Que nasçam em
Muros de Arrimo e em
Paredes de Contenção de Energia Nuclear
Rosas e Violetas e Labiadas e Mesambrintemos 
a partir de nossos beijos!
E regadas estas flores com
Nossos chegares juntos ao
Paraíso.
Consoma-me!
Atomiza-me!
Particula-me!
através de ondas eletromagnéticas de idiossincráticas freqüências e comprimento de ondas
características à
Vós
enquanto
Divindade!
E as palavras de Vossas solares mãos
a meus ombros
enquanto
a mim
Vossos melhores beijos
Beijos melhores e tão saborosos
quanto
os Beijos-de-Moça
que a Moça-que-Não-Sei-o-Nome
vende no ônibus na tarde chuvosa.
E Vossos elípticos lunares não-lunáticos olhos
– que já contemplaram o Mundo
como ele foi e está sendo e ainda será
– aos meus enquanto a mim
Vossos melhores beijos – não Beijos-de-Moça e sim
Beijos-de-Mulher-Feita-e-Atemorosa.
E por fim então seja Verdade, Sonho, Delírio ou Miragem
com braços com braços
ao redor de meu corpo e minha cabeça a Vosso colo.
Ninar-me-eis aos arrulhos de iniciado anoitecer
enquanto
não mais rios retumbantes revoltosos
e trovejares
e relampejares e raiares somente a mim
Vossos melhores
Beijos-de-Mulher-Plena-e-
à minha testa
Vossos melhores
Beijos-de-Moça.

:: 01 e 02 de fevereiro de 2018 ::

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

HARDSONETOCORE PARA PROFESSORA LUIZA

HARDSONETOCORE PARA PROFESSORA LUIZA

As nuvens brincando ao redor do sol no céu
Não torna mais fácil aceitar o fato de que a Senhora foi pro Beleléu.
E então o céu escurecendo violeta escondendo todas as estrelas
Me lembram que, mesmo estando tudo péssimo, pra Senhora tudo ainda era uma beleza.

Agora sua voz vai ressoar só dento da minha cabeça...
O mundo como incógnita da equação, seus conselhos uma certeza.
Eu me perguntei uma vez o que a Senhora não sabia
Respeito à religião alheia, Paysandu, Corinthians, Matemática e Física.

Onde eu estive quando a Senhora mais precisou?
Graças à Vossa reza e cafés, minha luz continuou...
Mais um pesar pra suspirar (às lágrimas) diariamente...

Me lembro da primeira vez que Vos vi, como se fosse ontem
Me lembro da última vez que Vos vi, como se fosse ontem
Enquanto puder lembrar, de Vos amar como a minha Mãe, sempre será como se fosse ontem...

:: para Luiza Maria Ferro Santana (1949-2017) ::
:: 02 de fevereiro de 2018, a partir do primeiro quarteto, pensado em 31 de janeiro de 2017 ::

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

PEQUENA ESTRELA DA TARDE - poema

PEQUENA ESTRELA DA TARDE

“Não achas que a mulher parece com a água, pescador?
Que os peitos dela parecem ondas sem espuma?
Que o ventre parece a areia mole do fundo?
Que o sexo parece a concha marinha, pescador?”
– Marcus Vinicius de Moraes (1913-1980), “Pescador”.

E então descereis a mim,
plena e radiante:
envolta em níveas vestes
não tanto quanto
Vossa tez.
Tomar-me-eis em mãos
após despir e catalogar minh’Alma
somente através dos olhos,
levar-me-eis ao colo
para que eu desça
de Vosso queixo a ombros
e finalmente aos
seios.
Estes
cujos cumes
meio-termo tez
de Carmim-Vossos-Cabelos
e
do Níveo-Vossa-Pele
– estrelas vistas ainda a céu azul do entardecer
pois
incomparavelmente vivas e radiantes
mantêm-se,
permanecem!
Nos cumes de tais cumes
fincado a uma árvore
eviscerado
saboreado pelos familiares de Huginn e Muninn 
por nove anos lunares  e nove noites sem-Lua
permanecerei:
A fins de Vos ter
enquanto
Única-Estrela-Radiante-em-Meu-Céu-Independente-de-Horário
fazendo-se notar
até mesmo
durante nublados e choveres.
E então
em suma conhecer
Vossos segredos e vontades
e desejos
e suspirares
para então:
Vós, com os olhos me incendiares
e, Em Chamas!,
descer-Vos
conhecer-Vos
saber-Vos
a partir deste poço de desejos que tens como
boca
desbravar-Vos
conhecer-Vos
saber-Vos
integralmente.
Todavia
sempre como
ponto de partida:
os dedos e as palmas das pontas destes
suavemente
a Vossos
seios
e
as bordas internas dos lábios
ternamente
a Vossos
mamilos.

:: 26 a 31 de janeiro de 2018 ::

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

poema sem título do domingo

[SEM TÍTULO POR ENQUANTO]

Boi Pavulagem vai trazendo o fim de tarde...
Boi Pavulagem vai levando embora a tarde embora...
Boi Pavulagem vai trazendo a noite...
Boi Pavulagem vai levando embora o sol embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Essa nau de lembranças e memórias.
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...
Boi Pavulagem, guarde os sonhos d’Ela ...
Boi Pavulagem, guarde o sono d’Ela ...
Boi Pavulagem, que o céu em sonhos d’Ela sejam tão Vosso azul...
Boi Pavulagem, que Vossa constelação A guie na escuridão da noite...
Boi Pavulagem, atenda as preces e orações que Ela fizer antes de dormir...
Boi Pavulagem, atenda as preces e orações que Ela fizer depois de acordar...
Boi Pavulagem, atenda minhas preces e orações para que Ela se salve de Si Mesma...
Boi Pavulagem, atenda minhas preces e orações para que Ela se proteja de Si Mesma...
Boi Pavulagem, atenda minhas preces e orações para que Ela se cuide de Si Mesma...
Boi Pavulagem, (quando) atendereis minhas preces e orações para que eu me salve de mim mesmo...?
Boi Pavulagem, (quando) atendereis minhas preces e orações para que eu me proteja de mim mesmo...?
Boi Pavulagem, (quando) atendereis minhas preces e orações para que eu me cuide de mim mesmo...?
Boi Pavulagem, por que não consigo mais Vossa constelação quando a Lua se faz presente no firmamento...?
Boi Pavulagem, onde eu me perdi...?
Boi Pavulagem, onde eu perdi a fé...?
Boi Pavulagem, eu perdi a fé...?
Boi Pavulagem, eu já tive fé alguma vez...?
Boi Pavulagem, eu já tive realmente fé alguma vez...?
Boi Pavulagem, (ainda) ouvis minhas súplicas e lágrimas...?
Boi Pavulagem, já ouvistes minhas súplicas e lágrimas...?
Boi Pavulagem, acudais meus clamores e lamentos e A leve para brilhar no azul junto a Vós...!
Boi Pavulagem, acudais meus clamores e lamentos e que Ela seja uma nova constelação...!
Boi Pavulagem, se não consigo contemplar-Vos radiando no céu, como então Ela...?
Boi Pavulagem, Ela ainda relumbra aos meus olhos...?
Boi Pavulagem, Ela refulge aos meus olhos...?
Boi Pavulagem, Ela já rutilou aos meus olhos alguma vez...?
Boi Pavulagem vai trazendo o fim de tarde...
Boi Pavulagem vai levando embora a tarde embora...
Boi Pavulagem vai trazendo a noite...
Boi Pavulagem vai levando embora o sol embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Essa nau de lembranças e memórias.
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...

:: Hospital Militar de Fortaleza, 17 de dezembro de 2017 ::

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

“Como, diante de uma criança que sofre, diante de uma criança que morre, diante da mãe dessa criança, como ousar celebrar a bondade ou a onipotência de um Deus e as maravilhas de sua criação? Crer em Deus, crer num Deus ao mesmo tempo bom e onipotente, é tolerar o intolerável! É o que chamo de covardia: aceitar o inaceitável. Violar, parece-me, o dever de compaixão, de solidariedade, para aqueles que estão no horror, com aqueles que enfrentam a atrocidade. [...] Ninguém, diante de uma criança que sofre e que morre, ninguém diante da mãe dessa criança, ousaria dizer ‘o mundo é maravilhoso’; ninguém ousaria dizer : ‘Este mundo foi criado por um Deus bom e onipotente’. Pois bem, o que não se pode dizer diante de uma criança que sofre, não se deve jamais dizer, JAMAIS, porque há sempre em algum lugar crianças que sofrem de forma atroz. Não vamos transigir com o horror!”
– André Comte-Sponville para Edmond Blattchen: “O título: Nome de Deus”. IN: “André Comte-Sponville: o alegre desespero”. Trad. Maria Leonor F. L. Loureiro. São Paulo: Editora UNESP. Belém: Universidade do Estado do Pará, 2002.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

“três poemas em um dia”

!SEM TÍTULO!

FALAR de Arte é falar de como a luz reflete em Vossa pele
De como Vossos cabelos se dispõem sobre Vossos ombros e costas
E como os arrumas com Vossos dedos e mãos.
Falar de Arte é falar como Vossos pés em sapatilhas
E como balanças as pernas enquanto sentada
E as linhas destas até Vossos quadris.
Falar de Arte é falar como Vossos olhos fixam e atentam enquanto o/a Professor/a fala
De como o ar entra por Vossas narinas enquanto sentada
De Vós em pé de lá pra cá ou de lá pra cá ou mesmo estática
[estética-estática]
E Vós despindo-Vos ou vestindo-Vos.
Falar de Arte é falar de Vós despida suada mediante movimento
Não somente A-Dupla – comungando e unificando o Universo e ao Todo –
Mas principalmente Vós-Convosco
Identificando, (Re)Conhecendo, Transitando
A Poesia, -Enquanto-Arte-Poesia e -Enquanto-Si-Mesma-Poesia,
Não se submete à nenhuma Arte
Tampouco à qualquer religião
Por ser Sua própria Religião e Divindade
E inclusive Seus princípios e meios e fins
Sendo cada verso escrito a uma Musa ímpar e pleno exercício
de Religiosidade.
-Enquanto-Arte-Poesia
e
-Enquanto-Si-Mesma-Poesia
Não se submete à nenhuma Arte
A Arte-em-Si e Arte-Independente-de-Outras-Artes
Seriam cada uma uma Religião independente e idiossincrática
E Sua Própria Religiosidade
E Ritos e Rituais
E princípios e meios e fins
Sendo que o exercer da Religião
Dá-se pelo exercer da Arte-em-Si e da Arte-Independente-de-Outras-Artes
– ou até mesmo -Multidisciplinar-A-Outras  e -Interdisciplinar-A- Outras –
Onde a Transcendência é chega
Quando a Obra enfim finda
Ou então CONTEMPLADA
pelo religioso ou pelos não-devotos-deste-Totem.
Então: onde termina de ser Arte e começa a ser Religião
Sendo simultaneamente Arte E Religião?
Onde termina a Religião e começa a ser Arte
Sendo simultaneamente Religião E Arte?
Onde e
Quando e
Como
A Mulher deixa de ser humana e passa a ser... se torna
Musa?
Poesia?
Forma Artística Perfeita e Ideal?
Musa sois a meus olhos – sejam abertos, sejam fechados
Poesia sois já pelo tanto por mim para Vós escrito
Forma Artística Perfeita e Ideal sois por Vossos tamanhos e formas e traços
Serem dentro e totalmente e além de meus padrões de
Agrado. 
Onde termina a Arte e começa a ser Religião
Sendo simultaneamente Arte E Religião?
Onde e
Quando e
Como
A Mulher deixa de ser
Mais-que-Humana
sendo
Musa
Poesia
Forma Artística Perfeita e Ideal
e passa a ser... se torna
Hierática?

:: do 1º ao 53º verso: não lembro em qual aula comecei ::
:: restantes do texto escrito em aula da disciplina História e Teologia das Religiões Afro-Brasileiras, Prof.ª Dr.ª Taíssa Tavernard de Luca ::
:: 12 de dezembro de 2017 ::




!SEM TÍTULO!

SONHO e suspiro
Convosco despida
suada
banhando
banhada
deitada
de cabelos dispostos sobre ombros e costas.
Sonho acordado mordendo os lábios
Convosco despida
medindo com as mãos
os contornos
dos seios
do abdome
das coxas
da virilha.
Vós respirando de boca aberta enquanto o fazeis
Passando a língua nos lábios
Rangendo os dentes
Olhos semi-cerrando
abrindo
fechando
continuamente
momentaneamente.
Sonho e suspiro alto
Invejando imensuravelmente e veementemente
Ser Vossos dedos e mãos
Para então descobrir-Vos e conhecer-Vos
Novamente e continuamente;
Ser Vosso corpo, em todas texturas e contornos e segredos
Para serem
Desvendados por Vossas mãos e dedos.
Suspirar Convosco
Suspirar por Vós
Suspirar sonhando meus dedos os Vossos aos Vossos contornos
Vos despindo
despida
Vos [continuamente re]conhecer
Então poderia eu saber
Vossas linhas
Vossos números após a vírgula
Vossos vetores e ângulos de atrito
Vossas vicinais e índices de vazios
?
E como Vosso corpo como horizonte
E então amanhece e o sol se põe
E os compostos químicos e suas respectivas percentagens Vos engendram enquanto rio...?
E então suado e arfante, retorno do sonho
Por ter-Vos idealizado
Primeiro
Suada e arfante e tremendo e sem voz
Então
Rosto ao colchão, o primeiro coberto pelos cabelos
Sussurrares
quase que inaudivelmente
Ainda não estares
devidamente
plenamente
Satisfeita.

:: do 1º ao 30º verso: não lembro em qual aula os escrevi ::
:: restante do texto escrito em aula da disciplina História e Teologia das Religiões Afro-Brasileiras, Prof.ª Dr.ª Taíssa Tavernard de Luca ::
:: 12 de dezembro de 2017 ::





!SEM TÍTULO!

É dezembro
Já deveria estar chovendo copiosamente
Diariamente.
Vossos cabelos castanhos
Já deveriam (DEVEM) estar chovendo em meu rosto
Simultaneamente minhas mãos à Vossa cintura.
Dezembro em processo
Sol escaldante em processo
Deveríamos (DEVEMOS) já juntos ser o/um Sol
E/Ou
Uma Máquina-de-Rendimento-Perfeito de
Queima constante e contínua de gordura e caloria
E produção imparável de suor.

Vamos fundar onde nossa própria Siderúrgica?

É, é dezembro!
Produziremos/Produzamos
Janeiro:
A Quatro-Mãos e
A Quatro-Pés e
A Duas-Bocas e
A Dois-Troncos? 

Verão em Mercúrio e não Belo Horizonte no Outono

Sobre e em Vosso corpo
Industrializar!
A partir de Vossas formas e medidas
A Ciência totemizar!
Tomados estes alicerces
Meu sangue e carne sacrificar!
E então

Através de Vós
Em Unificado e Unificando e Unificante a Vós
Enquanto Portal e Passagem

Ascenderei

e

Transcenderei

de somente Prosa
e
Poesia
e
Parágrafo
e
Verso

e
serei

em seus todos conceitos abertos e fechados
possíveis e impossíveis
simultaneamente e idiossincraticamente

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

:: 1º ao 22º verso escritos em um ônibus Guajará-Ver-o-Peso ::
:: restante do texto escrito em aula da disciplina História e Teologia das Religiões Afro-Brasileiras, Prof.ª Dr.ª Taíssa Tavernard de Luca ::
:: 12 de dezembro de 2017 ::