quarta-feira, 10 de maio de 2017

“Cada ser histórico transporta consigo uma grande parte da humanidade anterior à História. Esse é um fato que, sem dúvida, nunca foi esquecido nem mesmo nos tempos mais inclementes do positivismo: quem, melhor do que um positivista, sabia que o homem é um ‘animal’, definido e regido pelos mesmos instintos dos seus irmãos irracionais?”
– Mircea Eliade (1907-1986), “Simbolismo e Psicanálise”. IN: Imagens e Símbolos. Trad. Maria Adozinda Oliveira Soares.

segunda-feira, 1 de maio de 2017


“Nossas lâminas se encontraram com um estrondo que ecoou pela floresta, e quase o matei no primeiro golpe. Foi mais por sorte que ele deteve parcialmente minha estocada feroz, e a ponta de minha espada lhe atravessou toda a pele da mandíbula, de modo que o sangue lhe jorrou na parte da armadura que lhe protegia o pescoço. Ele gritou feito um cão louco, mas o ferimento lhe deu juízo e o fez perceber que não estava diante de uma brincadeira de criança.
Ele brandiu sua lâmina com toda a força e habilidade, e não o achei um espadachim médio. Bom para mim, que havia aprendido a arte pela melhor lâmina da França, pois este patife de barba negra era forte, habilidoso, e cheio de truques sujos e subterfúgios assassinos, através dos quais eu soube que ele não era um homem honesto, mas um sicário, um daqueles matadores pagos que vendem suas espadas a qualquer um que possa lhes pagar o salário.
Mas eu não era inocente naquele jogo, e minha rapidez de olhos, mãos e pés era tal, que nenhum homem poderia igualar. Falhando em todos os truques e estratégias, o barba-negra tentou me derrubar com pura força bruta, despejando golpes trovejantes sobre minha guarda com toda a sua força. Mas isto não lhe foi de melhor serventia, porque, apesar de eu ser mulher, meu corpo era como se fosse de molas de aço e ossos de baleia, e tinha a arte de desviar seus golpes antes que eles fossem bem começados e, deste modo, evitar sua fúria total. Dentro em pouco, sua respiração começou a assobiar através de seus dentes expostos, a espuma começou a se misturar com o sangue em sua barba, e sua barriga a ofegar sob sua couraça.”
– Robert Ervin Howard, “Espadas para a França”. IN: A Espadachim e outras Aventuras Históricas. Trad. Fernando Nesser de Aragão.
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sábado, 29 de abril de 2017

“Além disso, a serpente representa a função primária da vida, sobretudo comer. A vida consiste em comer outras criaturas. Você não pensa muito a respeito quando faz uma boa refeição, mas o que está fazendo é comer algo que há pouco estava vivo. E quando você olha para a bela natureza e vê os passarinhos saltitando daqui para ali... eles estão comendo coisas. Você vê as vacas pastando, elas estão comendo coisas. A serpente é um canal alimentar que se move, isso é tudo. Ela lhe dá aquela sensação primária de espanto, da vida em sua condição mais primitiva. Não há absolutamente o que discutir com esse animal. A vida vive de matar e comer a si mesma, rejeitando a morte e renascendo, como a lua.”
– Joseph Campbell para Bill Moyers, “A Jornada Interior”. IN: O Poder do Mito. Trad. Carlos Felipe Moisés.

domingo, 16 de abril de 2017

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – “A BOMBA”

“A bomba 
é uma flor de pânico apavorando os floricultores 
A bomba 
é o produto quintessente de um laboratório falido 
A bomba 
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles 
A bomba 
é grotesca de tão metuenda e coça a perna 
A bomba 
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem 
A bomba 
não tem preço não tem lugar não tem domicílio 
A bomba 
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece 
A bomba 
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está 
A bomba 
mente e sorri sem dente 
A bomba 
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados 
A bomba 
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada 
A bomba 
tem horas que sente falta de outra para cruzar 
A bomba 
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação 
A bomba 
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés 
A bomba 
faz week-end na Semana Santa 
A bomba 
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia 
A bomba 
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos 
interplanetários 
A bomba 
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose, 
de verborréia 
A bomba 
não é séria, é conspicuamente tediosa 
A bomba 
envenena as crianças antes que comece a nascer 
A bomba 
continua a envenená-las no curso da vida 
A bomba 
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais 
A bomba 
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba 
A bomba 
é um cisco no olho da vida, e não sai 
A bomba 
é uma inflamação no ventre da primavera 

A bomba 
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro, 
cobalto e ferro além da comparsaria 
A bomba 
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc. 
A bomba 
não admite que ninguém acorde sem motivo grave 
A bomba 
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos 
A bomba 
mata só de pensarem que vem aí para matar 
A bomba 
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe 
A bomba 
saboreia a morte com marshmallow 
A bomba 
arrota impostura e prosopéia política 
A bomba 
cria leopardos no quintal, eventualmente no living 
A bomba 
é podre 
A bomba 
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado 
A bomba 
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo 
A bomba 
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade 
A bomba 
tem um clube fechadíssimo 
A bomba 
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel 
A bomba 
é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris 
A bomba 
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos 
de paz 
A bomba 
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas 
A bomba 
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger 
velhos e criancinhas 
A bomba 
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer 
A bomba 
é câncer 
A bomba 
vai à Lua, assovia e volta 
A bomba 
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação 
em cadeia 
A bomba 
está abusando da glória de ser bomba 
A bomba 
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba 
o instante inefável 
A bomba 
fede 
A bomba 
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina 
A bomba 
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve 
A bomba 
não destruirá a vida 
O homem 
(tenho esperança) liquidará a bomba.”
– Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), “A Bomba”. IN: Lição de Coisas, 1962.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

“(...) ela [a Hermenêutica] possui um âmbito que alcança por princípio até o ponto em que se estende efetivamente o enunciado dotado de sentido. Enunciados dotados de sentido são inicialmente todas as declarações lingüísticas. Enquanto a arte de transmitir o que é dito em uma língua estrangeira para a compreensão de outra pessoa, não é sem razão que a hermenêutica recebe o seu nome de Hermes, o tradutor da mensagem divina para os homens. Se nos lembrarmos desse esclarecimento nominal do sentido de hermenêutica, ficará inequivocamente claro que se trata aqui de um acontecimento lingüístico, da tradução de uma língua em outra, ou seja, da relação entre duas línguas. No entanto, na medida em que só podemos transpor algo de uma língua para outra se compreendermos o sentido do que foi dito e se conseguimos reconstruí-o em meio à outra língua, um tal acontecimento lingüístico pressupõe o compreender.”
– Hans-Georg Gadamer, “Estética e Hermenêutica”. Trad. Marco Antonio Casanova.
“Parece pertencer muito mais à experiência da arte o fato de a obra de arte possuir sempre o seu próprio presente, de ela só reter em si de maneira muito condicionada a sua origem histórica e de ser em particular expressão de uma verdade que não coincide absolutamente com aquilo o seu autor intelectual propriamente imaginou aí. Quer denominemos agora esse fato a criação inconsciente do gênio ou consideremos a partir do observador a inesgotabilidade conceitual de cada enunciado artístico – em todos os casos, a consciência estética pode se reportar ao fato da obra de arte comunicar a si mesma.”
– Hans-Georg Gadamer, “Estética e Hermenêutica”. Trad. Marco Antonio Casanova.

terça-feira, 4 de abril de 2017

“Não se troca de moradia facilmente, pois não é fácil abandonar nosso próprio mundo. A casa não é um objeto, "uma máquina dentro da qual se vive"; é o universo que o homem constrói para si mesmo, imitando a criação paradigmática dos deuses, a cosmogonia. O ato de construir e o de instalar numa nova moradia são, de certa forma equivalentes a um novo começo, uma nova vida. E cada começo repete o começo primordial, quando o universo viu a luz pela primeira vez. Mesmo as sociedades modernas, com o seu alto grau de dessacralização, as festividades e o júbilo que acompanham o ato de estabelecer-se numa casa nova, ainda preservam a lembrança da exuberância festiva que, há muito tempo, marcava o incipit vita nova.”
- Mircea Eliade (1907-1988), “A casa como centro do mundo”. IN: Ocultismo, bruxaria e correntes culturais - ensios entre religiões comparadas. Trad. Noeme da Piedade Lima Kingl. Belo Horizonte: Interlivros, 1979.

quarta-feira, 29 de março de 2017

“Take your men now and ride down that ridge and strike them hard, or their left flank! Don’t ask – I know it’s mad but we’re finished anyway. Now go dammit and peace be in your black soul.”
Conan, the Barbarian.

terça-feira, 28 de março de 2017

“Cada descoberta de um fato histórico conhecido, e toda nova interpretação de um já conhecido, ou se ‘encaixará’ na concepção geral predominante, enriquecendo-a e corroborando-a por esse meio, ou então acarretará uma sutil ou até uma fundamental mudança na concepção geral predominante, lançando assim novas luzes sobre o que era conhecido antes. Em ambos os casos, o ‘sistema que faz sentido’ opera como um organismo coerente, porém elástico, comparável a um animal vivo quando contraposto a seus membros individuais; e o que é verdade nas relações entre monumentos, documentos e um conceito histórico geral nas humanidades, é igualmente verdadeiro nas relações entre fenômenos, instrumentos e teoria nas ciências naturais.”
– Erwin Panofsky, “Introdução: A História da Arte como uma Disciplina Humanística”. IN: Significado nas Artes Visuais. Trad. Maria Clara F. Knesse e Jacó Ginsburg, com revisão de Mary Amazonas Leite de Barros. São Paulo: Perspectiva, 2014.

quinta-feira, 23 de março de 2017

POEMA ESCRITO NA AULA DE INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

[!sem título!]

NÃO vou dar uma de hipócrita e não dizer
Que sois Vós maravilhosamente linda
E que sou malditamente verdadeiramente absurdamente
sortudo e abençoado!
Por estar na mesma sala que Vós
ao alcance dos olhos e no raio de alcance de Vossa voz.
Há muitíssimo a ser dito e escrito
Todavia sou impedido a posteriori por respeito a Vosso marido
E a priori por não saber quase nada sobre Vós
Desbocando/decorrendo
em respeito à Vossa pessoa.

Mas
mas

brilhe eternamente incessantemente aos meus olhos
na condição pétrea e imutável de Intocada e Intocável
enquanto durar este período de lato sensu neste Programa de Pós-Graduação. 

:: para Gabriela Tavernard de Luca Lopes ::
:: 23 de março de 2017 ::
:: Introdução às Ciências da Religião, Prof.ª Dr.ª Daniela Cordovil Correa dos Santos ::

terça-feira, 21 de março de 2017

“Parto do estado conjunto abrangente de fatos que constitui a base sólida de toda reflexão sobre ciências humanas. Ao lado das ciências naturais, e partindo das tarefas da própria vida, desenvolveu-se por si mesmo e de maneira espontânea um grupo de conhecimentos ligados uns aos outros por meio da comunhão de seu objeto. Tais ciências são a história, as ciências econômica e jurídica e a ciência do estado, a ciência da religião, o estudo da literatura e da poesia, da arquitetura e da música, das visões de mundos dos sistemas filosóficos e, por fim, a psicologia. Todas essas ciências descrevem, narram, julgam e formam conceitos e teorias em relação ao mesmo grande fato: a espécie humana.”
– Wilhelm Dilthey (1883-1911), “A construção do mundo histórico nas ciências humanas”. Trad. Marcos Casanova. São Paulo: Editora UNESP, 2010.

segunda-feira, 20 de março de 2017

“[...] um modelo é uma entidade natural ou artificial, relacionada de alguma forma à entidade sob estudo ou a alguns de seus aspectos. Esse modelo é capaz de substituir o objeto (entidade) em estudo (isto é, de servir como uma ‘quasi-entidade’ relativamente independente), e de produzir (sobre essa investigação) certos conhecimentos mediados concernentes à entidade sob estudo.”
– Irinéa de Lourdes Batista, A teoria universal de Fermi: da sua formulação inicial à reformulação V-A. São Paulo, 1999.

domingo, 19 de março de 2017

Reflexão da madrugada: ver brasileiro criticando negativamente Multiculturalismo é o mesmo que ver judeu nazista, africano celebrando a Conferência de Berlim e chinês e coreano enaltecendo a invasão de seus países pelos japoneses.

sábado, 18 de março de 2017

“Quanto a mim, jamais presumi que meu espírito fosse em nada mais perfeito do que os do comum; amiúde desejei mesmo ter o pensamento tão rápido, ou a imaginação tão nítida e distinta, ou a memória tão ampla ou tão presente, quanto alguns outros. E não sei de quaisquer outras qualidades, exceto as que servem à perfeição do espírito; pois, quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa que nos torna homens e nos distingue dos animais, quero crer que existe inteiramente em cada um, e seguir nisso a opinião comum dos filósofos, que dizem não haver mais nem menos senão entre os acidentes, e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma mesma espécie.”
– René Descartes (1596-1650), O Discurso do Método. Trad. Maria Ermantia Galvão com revisão de Monica Stahel.

quarta-feira, 15 de março de 2017

“a atomização e compartimentalização dos campos do saber - com as conseqüentes separação e especialização - é resultado de um preconceito cientista ou positivista, atualmente em vias de ser superado. O modelo que tende a impor-se atualmente não visa mais à redução de cada setor do saber a algumas proposições simples das quais o resto possa ser deduzido (Descartes), mas está mais atento à complexidade e às múltiplas interrelações e interconexões. Exige complementaridade, dialética, inter- e transdisciplinaridade dos métodos e dos conteúdos.”
– Etienne A. Higuet, “A teologia em programas de Ciências da Religião”. IN: Revista Eletrônica Correlatio n. 9 - Maio de 2006.
“(...) creio caber a seguinte pergunta: como entender, por exemplo, o surgimento das sociedades modernas ocidentais, a organização do mundo do trabalho, a eficiente burocracia do aparelhamento estatal, bem como as formas de produção do sistema capitalista sem associar tais fenômenos a um modelo de ciência? Certa racionalização do mundo dar-se-ia, e este era o postulado, na mesma proporção em que as imagens religiosas do mundo fossem desaparecendo. Diante do que tenho tentado afirmar, é importante perceber que se um determinado modelo científico conseguiu estabelecer seus estatutos e tais estatutos são tomados, pelo menos no Ocidente, como posicionamento universalista de validação da racionalização do mundo e de orientação humana, e que tal processo ao menos se apresentava como resultado radical do desencantamento das imagens religiosas do mundo, posso afirmar que a religião, diante da moderna compreensão de ciência, não se configurava como outra coisa senão como uma questão heterônoma ao próprio trabalho da ciência e à nova concepção de humano. Ou seja: depois de enfraquecido todo sentido que a religião emprestava ao mundo e à vida, era necessário relegá-la à extrema indigência.”
– Douglas Rodrigues da Conceição, “A religião em cena: perspectivas de investigação”. IN: Horizonte, Belo Horizonte, v. 9, n. 23, p. 883-896, out./dez. 2011.

terça-feira, 14 de março de 2017

FAREEDA - primeiro poema escrito no mestrado


FAREEDA

E então vejo Vossas fotos
E então ouço Vossa voz
E então me pergunto:
– Como será Vós despida, de bruços, sobre a cama, semi-coberta por um lençol, na quase escuridão?
– Como Vossos olhos brilham quando estás gozando?
– Como será Vosso rosto quando Vos falta ar em Vosso momento de gozo?
– Quais Vossos sons enquanto escalam com a boca e o nariz
estabelecendo um posto avançado em Vossa virilha e cintura tendo minhas orelhas aquecidas por Vossas coxas
e de lá
então subir por Vossa barriga, partindo de Vosso umbigo,
galando terreno a alcançar Vossos seios
os cartografando até o ponto do cume dos mamilos
e então voltar para percorrer Vossos ombros
para finalmente conhecer Vosso pescoço e orelhas?
Apresentados e levantados estes questionamentos
então minha boca à Vossa (muito possivelmente) seca
meus olhos aos Vossos... então fogo baixo ou luz de sirenes
e, finalmente minhas mãos às Vossas e dedos entrecruzados e as palmas de Vossos pés de meus joelhos até meu tórax e o trajeto inverso a Vosso desejar
e então
Comunhão
Unificação
Adesão
Conversão
Mediação
Harmonização
Momento transcendental de encontro entre devoto e Musa
entre inspirado e Inspiração Verdadeira
– uma nova caracterização da Epifania?
A execução do Sagrado pelo Sacro
e Poético-Literário.
A execução do Sagrado pelo conjunto do Sacro e do Humano
A execução do Sagrado pelo conjunto do Sacro e do Poético
A execução do Sagrado pelo conjunto do Sacro e do Literário
A execução do Sagrado pelo Uno composto pelo Sacro e pelo Humano e pelo Poético e pelo Literário.
A execução do Humano pelo conjunto do Humano e do Sacro
A execução do Humano pelo conjunto do Humano e do Poético
A execução do Humano pelo conjunto do Humano e do Literário
A execução do Humano pelo Uno composto pelo Sacro e pelo Humano e pelo Poético e pelo Literário.
A execução do Poético pelo conjunto do Poético e do Sacro
A execução do Poético pelo conjunto do Poético e do Humano
A execução do Poético pelo conjunto do Poético e do Literário
A execução do Poético pelo Uno composto pelo Poético e pelo Sacro e pelo Humano e pelo Literário.
A execução do Literário pelo conjunto do Literário e do Sacro
A execução do Literário pelo conjunto do Literário e do Humano
A execução do Literário pelo conjunto do Literário e do Poético
A execução do Literário pelo Uno composto pelo Literário e pelo Sacro e pelo Humano e pelo Poético.
E então Vós comigo, dormindo ou acordada, após Vosso gozo
e finalmente Vós a meu braços e guardar
e então o fim do dia enquanto o mundo termina em chuva!

:: para Andreia Lins [Recife-PE], Cristiane Perin [Santarém-PA], Laís Helena Meyer Caparroz [São Paulo-SP], Caroline Cardoso Silva [Pelotas-RS], Alexandra Monteiro Ferraz [Rio de Janeiro-RJ], Karime Treptow Hayat e Graziela Inês Jacoby [Santa Maria-RS] ::
:: 14 de março de 2017 ::
:: Centro de Ciências Sociais e Educação da Universidade do Estado do Pará, aula de Seminários de Pesquisa, do Prof. Dr. Douglas Rodrigues da Conceição ::
:: Fareeda (variação “Faridah”) é um nome feminino árabe que significa “Única”, “Incomparável”, “Pérola/Gema Preciosa”; a meu ver, como autor e tradutor, não seria ruim traduzir o título para “Pérola Incomparável” para este contexto poético em específico. ::

sábado, 11 de março de 2017

Affonso Romano de Sant’anna, “O Homem e o Objeto - parte 11”

“Como o homem faz o objeto
e o objeto que o completa,
num duplo esforço operário,

pode se dar que outro homem
inverta as regras do jogo
de modo mais que arbitrário
e transforme o homem
em menos-homem: objeto
donde extrai sangue e salário. 

A luta, portanto, é dupla
e se reduz neste aspecto:
– contra o homem e o seu domínio
e a escravidão do objeto.

No entanto, se o objeto
nos tece em torno a grade,
pode, ao contrário tornar-se
a chave da liberdade.

E de repente nos livra
de um modo mais que completo,
e do que era um homem escravo
ressurge um homem arquiteto,
capaz de erguer seu destino
conforme o queira em projeto.”
– Affonso Romano de Sant’anna, “O Homem e o Objeto - parte 11”. IN: SANT’ANNA, Affonso Romano. Poesia reunida: 1965-1999. Porto Alegre: L&PM, 2007.

quarta-feira, 1 de março de 2017

“[...] as pessoas dizem que ele é apenas um louco inofensivo. Seu quarto está cheio de livros de tipos mais calmos e pueris, e hora após hora ele tenta se perder em suas fracas páginas. Tudo o que ele quer da vida é não pensar. Por algum motivo o ato de pensar lhe é muito terrível, e tudo o que possa agitar a sua imaginação o faz, fugir de como uma praga.”
– Howard Phillips Lovecraft, “O Descendente”, 1926. IN: A tumba e outras histórias. Trad. Jorge Ritter.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

“Faz muito tempo que ninguém mais pensa em adiantar-se à experiência, ou em construir um mundo inteiramente baseado em algumas hipóteses apressadas. De todas as construções às quais as pessoas ainda se compraziam ingenuamente há um século, hoje não restam mais que ruínas.
Todas as leis, pois, provem da experiência, mas para enunciá-las é preciso uma língua especial; a linguagem corrente é demasiado pobre, e aliás muito vaga para relações tão delicadas, tão ricas e tão precisas.
Eis portanto uma primeira razão pela qual o físico não pode prescindir da matemática; ela lhe fornece a única língua que ele pode falar.”
– Jules Henri Poincaré (1854-1912), “A análise e a física”. IN: o valor da ciência. Trad. Ildeu de Castro Moreira.