sábado, 20 de novembro de 2010

OS VERSOS DO DESINTERESSE E DA MINHA VISÃO SOBRE CULTURA PARTICULAR DO INDIVÍDUO

“Faça uma escolha, Marvel. Escolha o mundo.”
– Super-Homem para Capitão Marvel, no penúltimo número de O Reino do Amanhã, escrito por Mark Waid e desenhado por Alex Ross

Estava eu lendo um’apostila para fazer uma resenha de OPCTA sobre o processo de favelização da cidade do Rio de Janeiro e diversos panoramas sobre este tema. SÓ QUE ouvindo uns álbuns do Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath, de 1979, Heaven and Hell, de 1980, e Mob Rules, de 1981.
Porém pensem num tema que me é completamente alienígena e desinteressante...... Frau (Cristiane) Machado até traçou um paralelo entre os processos de favelização da cidade do Rio de Janeiro e da periferização de Belém e olha a minha cara de bunda de interessado no assunto. “Hum-hum”, pensei comigo e sem abrir a boca, “grande merda, não?” Pra terceiros pode até não ser, sendo de ímpar importância, mas pra mim......
Eu não sou cabeça aberta. Fato. Mente fechada e estreita, só vejo o que está à minha frente e o que minhas rédeas de cavalo permitem fazê-lo. Tudo é libertador e tudo é alienante dependendo do ponto de vista de que veja o negócio em questão. Simplesmente não consigo não ver com desdém a história de muita coisa relacionada ao RJ – neste caso, as favelas. Ai vai aparecer algum fulano e dizer “ah, mas essa é a realidade deles”. Pois é, é a deles, não a minha. Mas aí eu me interesso profundamente por cultura e história viking e germânica e muçulmana, que diferem ENORMEMENTE da realidade que tenho como minha. Realmente, muito paradoxal e eu estou pouco me lixando para isso. Cada um gosta do que bem lhe interessar. Todavia......
Acredito eu que nasci no lugar errado por não ter aquele interesse que meus compatriotas têm nas coisas de seu país. Bom, eu sou muito interessado o suficiente no processo de formação da Unidade Federativa da qual sou natural, além de tantas outras, como algumas do Nordeste do as do Sul (mesmo eles sendo xenofóbos não-assumidos quanto ao resto do país, principalmente nortistas e nordestinos). E, podem me apedrejar se quiserem, mas as histórias de formação dos continentes europeu e asiático são mais belas aos meus olhos do que muita coisa na do americano. Deve ser porque eu li muito mais coisas sobre isso desde a minha adolescência até aqui. E também porque já me encheram tanto o caralho do saco com “história do Brasil isso” e “história do Brasil aquilo”, que....... Levanta a mão quem está neste mesmo drakkar...!

Crônicas do dia-à-dia são legais, sim. Tem muita coisa do meu interesse e eu fico puto por não conseguir escrever assim. Mas tem umas coisas que dizem que são os cânones que, puta que pariu...... Não consigo ler e não ficar puto com aquilo. Tem muitas coisa made in Brazil que....... Pro Arallu com tudo isso......
Ficção, sabe? Científica. Cabeçuda. E Terror também, sabe? Desd’aqueles do tempo do ronca do cinema mudo europeu até os japoneses e coreanos que aparentemente não têm pé nem cabeça. Guerra e trincheiras, canhões e espadas, bombardeios e machados. E, eu não sou o único. Volta e meia, seja onde for, vai aparecer um guri encantado com a história do Ragnarök, ou que terá os olhos brilhando lendo alguma história do Quarteto Fantástico da fase do Simonson ou do Byrne.
Quanto à música.... Arraial do Pavulagem, música folclórica paraense, umas cositas nordestinas que andam me agradando bastante ultimamente. Para ser bem franco, ‘tô perdendo a paciência com samba e chorinho e essas porras todas. Creio que estou me tornando um daqueles roqueiros bem radicais que só ouve aquilo que lhe dá na veneta e fecha os ouvidos pro resto que não seja de seu interesse. Mas eu vejo a merda do seguinte modo: rock and roll, hardcore, metal, punk rock, mesmo o blues, o rap (e olha que eu não vou com a cara de rap, mas “periferia é periferia em qualquer lugar”) e o reggae (que também em nada me enche os ouvidos) (e obviamente as já citadas revistas de histórias em quadrinhos mais o RPG) SEMPRE serão mais mundiais do que qualquer coisa, porque no mundo TODO existiu, existe e existirá rebeldes, insatisfeitos e gente triste com o mundo ao redor. Uma vez ouvi que “tem que ser do morro pra fazer samba”. Então ‘tá foda, muito foda MESMO, porque o que tem de periferia por aí pela face de Gaia e de moleque com microfone fazendo som e base com a garganta ou molecada com instrumentos caindo aos pedaços fazendo suas músicas às bases de Ramones e Black Sabbath do jeito que dá por aí.
Caso venham me perguntar o que eu acho do fato do samba e estilos similares e da mesma árvore serem somente atrelados ao Brasil, eu vou dizer “quero mais é que se dane”, uma vez que isso simplesmente não me interessa. Sabem o que ‘tá rolando agora no meu playlist do Rhythmbox? O Ronnie James Dio cantando “Over and Over”, última faixa do Mob Rules, do Sabbath. É coisa assim que vai ao fundo da minha alma. Mesmo que eu não entendesse porra nenhuma de língua inglesa, a voz dele e o Tomi Iommi solando é o que me encantam, tal como entro em êxtase ouvindo tanto o carimbó de Marapanim quanto o Neil Young cantando com o nariz “keep on rockin in a free world!” Porque, mesmo que não exista tanto o carimbó de Marapanim quanto o samba do morro da cidade do Rio de Janeiro, teremos alguém em algum momento ouvindo Angra nos cafundós do Vietnã, Coléra em alguma festa proibida em Sanaa, Stress em fones do ouvido no Alasca e Ratos de Porão no último volume em Soweto. E as canções destes grupos irão bem ao fundo dos corações e das mentes destas pessoas, tal como os seus sons locais o fazem devem fazê-lo, sejam quais forem.

Eu agora imagino – e eu sempre gosto de imaginar isto – quantas pessoas nestes instante, independente do fuso-horário, estão imitando o Joey Ramone ou o Ozzy Osbourne cantando e levantando o povo, o Angus Young ou o Jimi Hendrix queimando a guitarra, o John Paul Jones ou o Geddy Lee fazendo o baixo cantar, o John Bohnam ou o Dave Grohl destruindo a bateria.
E é isso que me interessa: as coisas que vão ao fundo da minha alma. Que me façam não sentir mais um merda solitário e infeliz. Que me façam sentir que não estou sozinho, que existam tantos iguais a mim. Que me tirem do ostracismo e da solidão. Que não me façam ser indiferente a tudo e pensar “ah, grande coisa”. Que abram meu coração.

E talvez a frase mais repetida da História passe a ser a qual fecharei esta postagem antes de ir almoçar:
“May the Force be with you!”






Rosinaldo Costa Melo, das ist für dich, Wolfbruder!

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