quarta-feira, 2 de março de 2011

FALEM AT WAR!*

Eu disse no post de ontem que ia falar de temas tensos que foram levantados no lançamento da Kamikazes lá em Bragança.

E tem o curso de Letras da Universidade Federal do Pará. E dentro deste, há os cursos de Letras Estrangeiras Modernas (que são: Alemão, Inglês, Espanhol e Francês). Se eu concordo como estes cursos são administrados e dirigidos? Vou responder como praticamente TODOS OS ALUNOS deste curso que têm alguma coisa na cabeça respondem a isso de forma veemente:
NÃO!

Cada vez mais a administração da Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas está retirando do PP – Projeto Pedagógico – as disciplinas relacionadas à LITERATURA e LINGÜÍSTICA, com o intuito de dar maior direcionamento à maldita Licenciatura.
“COMO ASSIM, CARA PÁLIDA?!?”
Como assim retirando da grade as disciplinas relacionadas à Literatura e Lingüística, se A BASE do curso de Letras também tem como PILARES PRINCIPAIS a Literatura e Lingüística?!? Estudos diacrônicos e sincrônicos da língua que se fodam, né? Pelo visto...

Depois de tanto conversar com a galera (Harley, Tailson, Alan, Jean e Mayara), chegamos à três grandes conclusões coerentes/pertinentes/tensíssimas-para-caralho quanto a isso:

PRIMEIRA CONCLUSÃO: FALTA DE SENSO CRÍTICO
Ou seja, você não pensa se não tiver acesso ao que te faça pensar. É assim com a literatura, com o cinema e a música. Fato. Todos os idiomas da FALEM possuem representantes literários-musicais que são expoentes em suas áreas. Sem as matérias de Literatura, os alunos não vão ter como recusar o que está lhes sendo ministrado, pois não terão acesso às obras que se tornaram cânones das línguas que estão estudando e assim pensar em cima das mesmas. Sem as matérias de Lingüística, não saberão/conhecerão as (r)evoluções através da linguagem para que ela é o que é atualmente. Ou seja...

SEGUNDA CONCLUSÃO: FALTA DE CONHECIMENTO DA EVOLUÇÃO DOS IDIOMAS
Eu quero ver matérias como Língua Inglesa e Ensino do Uso da Língua vão explicar a evolução e desenvolvimento da língua inglesa desde Beowulf até Deuses Americanos; Língua Espanhola explicar de Dom Quixote até Negra espalda del tiempo; Língua Francesa explicar Cantilène de sainte Eulalie até L´Âge de Raison; Língua Alemã explicar a Bíblia traduzida para o Gótico até Nas Peles da Cebola. Lingüística e Literatura andam de mãos dadas, querendo os diretores da FALEM ou não. Neguinho já chega zerado elevado a dez no curso, vai sair zerado elevado a mil se não correr atrás. Como se não bastasse, os professores não incentivam os alunos a produzirem nada que seja da maldita Licenciatura. E depois não sabem porque não levam os cursos da FALEM a sério no resto do país.

TERCEIRA CONCLUSÃO: CURSO DE PEDAGOGIA COM LÍNGUA ESTRANGEIRA
É, negada, é isso mesmo que vocês leram. E o pior que isso está se tornando uma tendência nos cursos de Licenciatura da UF (mesmo considerando que Letras é a única Licenciatura da UFPA que NÃO TEM Bacharelado – bonito pra nossa cara, né?). Muito legal, né? Tanto que dá vontade de vomitar. Eu não sei se fico com nojo ou com raiva, ainda mais por não saber onde diabos esse pessoal quer chegar com essa idéia totalmente, no mínimo e na melhor das hipóteses, fudidamente retrograda. E a GRANDE IRONIA é que enchem a grade de disciplinas pedagógicas e na hora de fazer a prova do Mestrado da instituição, esta vem bombardeando com questões tremendamente violentas de LITERATURA e LINGÜÍSTICA. Muuuuuuuuuito legal, não? Provas de outras instituições então......

E estes são os “profissionais do futuro” que querem formar e que estão formando. E acham que isso é bom. Não que eu me importe com o que os outros vão pensar. Mas é o MEU CURSO e isso está acontecendo NA MINHA CASA! Como eu posso simplesmente ser impassível e sair cantando na chuva “quero mais é que se dane porque não é comigo que está acontecendo”. Oh, sim, não posso negar que estou muito feliz de isso não estar acontecendo comigo, TODAVIA não posso simplesmente não me importar com quem vem depois.
“Ah, vai pedir ajuda pro Centro Acadêmico do teu curso pra ver se eles podem ajudar”. Eles NÃO VÃO ajudar, estão tão preocupados com seus interesses próprios que não fá-lo-ão. E mesmo assim, mais da metade do CAL é de Língua Portuguesa – acreditam que não é problema deles porque simplesmente não os afeta (EU OS DESAFIO A ME PROVAR QUE EU ESTOU ERRADO!). DCE? Não me façam rir.

Estamos em guerra. Silenciosa. Mas ainda assim é guerra. E o que está em jogo é não somente a formação de futuros profissionais de Letras Estrangeiras, mas inclusive a credibilidade dos cursos frente a outros de mesmas habilitações país afora (“É esse o tipo de profissional em LE que a UFPA forma? sem ter conhecimento básico da lingüística e literatura da sua área? Tenha dó...”).
Eu temo, de todo meu coração, que os coordenadores só percebam isso quando for tarde demais e nada mais puder ser feito.




„Muter, gib’ mir Kraft!“
– Rammstein, „Mutter“, do álbum de mesmo nome, de 2001



* O título desta postagem é referência mais do que direta ao jogo de PC Star Wars: Empire at War, de 2006.

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