segunda-feira, 14 de março de 2011

MALDITO BÊBADO SORTUDO FILHO DA PUTA MALDITO

“Tente conceber! Tente vislumbrar!
Que é tão igual quanto os que odeia!
Tudo isso vai mudar?”
– Dead Fish, “Tão Iguais”, do álbum Zero e Um, de 2004

É isso.
Demorou pra caralho pra que eu chegasse à essa conclusão, mas cheguei.
Doeu pra caralho. Me neurou pra caralho. Me tirou o sono e a concentração e a paciência. Fiz de tudo para não chegar à ela, mas, no final, era tudo inevitável. E isso já me assombrava desde antes de chegar à universidade, ficar dias embaixo do lençol pensando nisso. Ou mesmo completamente angustiado pensando e fingindo estar tudo bem.

Sortudo.
É isso.
Maldito sortudo.
Maldito alcoólatra sortudo. Maldito alcoólatra sortudo filho da puta porco maldito.
As coisas acontecem por uma razão específica que eu já parei de pensar qual é e passei apenas a viver. e, no final, tudo isso leva a tudo isso novamente. Espiral do caralho.
Não dava pra chegar a conclusão oposta. Não depois de todas as cagadas que ando passando. Tem aquela merda do “Não importa o quanto você acha que está fudido, sempre vai encontrar alguém pior...!” (graaaaaande consolo), e eu SEMPRE encontro alguém mais fudido e em situação mais fudida. Eu deveria me sentir melhor? Eu deveria (eu acho), mas simplesmente não consigo. Eu simplesmente travo. Sim, tem os problemas para os quais estou é cagando e andando, mas têm umas coisas aí.

Pode ser muito egoísmo da minha parte dizer isso, mas aconteceram umas coisas comigo que me fizeram tomar conhecimento desta minha situação. Primeiro era só o sortudo. Depois os outros adjetivos. Não sei em que ordem (talvez não queira lembrar, foda-se), mas foram chegando. Se o pior cego é aquele que não quer ver, podem crer que sou o primeiro senão um dos primeiros hors-concours do ranking, de tanto que fechei os olhos e me acomodei para com esta situação mega-escrota. Agora sei/entendo* o que as gurias querem dizer quando dizem que ficam realmente surpresas/admiradas de um verdadeiro über escroto como eu ainda conseguir pegar mulher (mas minha realmente impressionante de capacidade conseguir CAGAR TUDO é realmente nada invejável – elas que o digam. Isso quando não consigo CAGAR a oportunidade de ficarmos juntos**, ou falando um turbilhão de asneiras e/ou simplesmente desaparecendo sem dar contato).

O pior, cambada, não é ter a plena consciência que tenho que mudar. O pior MESMO é NÃO TER CULHÕES para começar a mudar. Porque não adianta caralho nenhum fazer um plano de auto-ajuda e não ter coragem para botar em funcionamento. “Hoje ‘tô com a galera mas não vou beber”. “Hoje ‘tô com a galera mas não vou beber E nem fumar”. “Hoje não vou bater punheta”. “Hoje vou dormir mais cedo”. “Hoje não vou comer farinha”. “Hoje não vou falar palavrão”. E assim vai até fazer o programa completo. Cadê coragem? Cadê disposição?
E, puta que pariu, faz uma cara que desisti de mudar o mundo, porque faz uma cara que simplesmente deixei de lado a idéia de mudar a mim mesmo. “Primeiro a parte e depois o todo”.
Aí entra o fato de eu ficar puto com certos hábitos de terceiros. As famosas “frescuras” e “hipocrisias”, além dos(as) cheios(as) de não-me-toques. Dá vontade de esquartejar e empalar. E, olhando sob determinada ótica, eu não sou nada diferente deles. Não faça essa cara que eu sei que está fazendo agora. É verdade. Eu não sou melhor do que eles porque também tenho meus hábitos considerados, por muitos, repulsivos. Metralhadora de palavrões e de ofensas a nível sexual. Mulherengo convicto. Desrespeitador e escarnecedor dos considerados padrões de moral. Critico ferrenho de instituições. Inconseqüente. Alcoólatra. Preconceituoso. Rancoroso. Irascível. E isso é só o COMEÇO da minha lista.
Mas, acredito – eu posso estar errado! joguem tomates e tortas, se quiserem! – que minha vantagem (última e quase insignificante) é que admito meus defeitos a ponto de lista-los. Grande merda do caralho: saber listar seus próprios defeitos e não querer corrigi-los, mesmo tendo plena convicção de que lhe são tortuosamente nocivos. E então entramos em dois paradoxos: o criado por Clarice Lispector, quando diz que não se pode cancelar os defeitos por não saber qual sustenta a base da pessoa, e o por Robert Musil, em seu Der Mann ohne Eigenschaften (i.e.: O Homem sem Qualidades, de 1932-1933). Como ser louvável sem ter como ser louvável? As virtudes compensam os contras?
E se eu estiver errado quanto a tudo isso?


“Old habits die hard”
– Thaís Arns***, em seu finado fotolog



bis zu dem f*ckin neuen Post!

* saber e entender não são sinônimos de concordar e aceitar.
** vide o EPEL 2011. Via MSN, a guria disse que ficou supergamada em mim, mas que nem quis tentar porque, quando não me via apresentando trabalho, eu estava “só” prática e completamente BÊBADO! Ou seja...
*** eu falei muito dela em algumas postagens de fevereiro de 2009. Só não me perguntem quais.

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