terça-feira, 11 de dezembro de 2012

FORMAÇÃO... (DES?)FORMAÇÃO...? NÃO-FORMAÇÃO!

Ouvindo: Matanza, Thunder Dope, 2012

“A coisa não vai bem
Não sobro quase nada de Sayem
O terror acabou com Bufallo
O mal impera o Matanza um Idaho”
– Matanza, “Matanza em Idaho”, Thunder Dope, 2012

Apesar de ter me divertido com os amigos mesmo com a casa dedetizada e indo da casa de amigo em amigo (Frango e Inezita, supervaleu pela pré!) e estar ouvindo direto o novo do Matanza (Thunder Dope, uma compilação das primeiras demos da banda), ainda tive que fazer uns trabs pra serem entregues aqui na UFPA esta semana.
Ensino e Aprendizagem de Alemão II, ministrada por Frau Patrícia Moeller-Steffen e por Frau Patricia Wetteskind. Até ai, ok. Até ai, ok, que me fudi fazendo plano de aula pro ensino de Literatura e Lingüística de língua alemã pra alunos da graduação de língua alemã e ai sou muito severamente tolhido, devido, segundo Frau Steffen, a ementa da disciplina não compreender o ensino dos supracitados campos de estudo e sim SOMENTE do idioma, dos processos e estratégias de ensino e aprendizagem do mesmo para alunos do curso livre e de escolas públicas e particulares que tenham língua alemã em seus currículos.
Mas... PERAÍ! O curso não é de LICENCIATURA? Até onde eu bem sei, o mesmo deveria formar TAMBÉM professores dos supracitados campos. Então pra que e porque teríamos as disciplinas referentes aos mesmos? Perda de tempo? Gastos indevidos e previamente conscientes de dinheiro público por parte da universidade? Sacanear os graduandos? Acho que é tudo isso junto e muito mais. Ou eu posso estar errado. Ou não? Formação de professores, certo? Não devia abranger a competência de formar professores pras três esferasFundamental, Médio e Superior? “Não, é preciso haver uma especialização para que sejam formados professores do Ensino Superior”. E a base da formação fica onde? No meu cu? Não mesmo. Então creio que seria uma boa mudar o nome do curso pra Licenciatura em Letras: Formação de Professores SOMENTE de Língua Alemã para Cursos Livres e Graduação. Assim, logo na inscrição pro processo seletivo da Universidade Federal do Pará, os candidatos já sabem do que o curso se trata e já se vê logo liberto de disciplinas “inúteis”, como as de Literatura e Lingüística. “Ah, mas tem que ter a formação gramatical e literária para se adquirir e desenvolver o idioma para que possa ser enfim ministrado”. Não foi isso que eu vi durante meu período de graduação, sério. Em momento algum.
Agora ‘tô começando a entender o desdém da maioria dos professores em ministrar Literatura e Lingüística na faculdade, desdém que contagia e impregna a maioria esmagadora dos graduandos, vide os Trabalhos de Conclusão de Curso voltados em sua maioria esmagadora para o Ensino & Aprendizagem. Pergunta quem quer ser professor de universidade e perceba a resposta. Agora faz isso com o pessoal da FALE. Diferença brutal, não?
Agora começo a entender porque ‘tão tirando disciplinas dos dois campos do Projeto Pedagógico da faculdade. Se os professores não incentivam ensino (“toma e passa com o que der”), pesquisa (“não formamos pesquisadores-professores, formamos somente professores”) e produção acadêmica (sem comentários) nos mesmos, pra que ter? Bem como disseram muito tempo atrás e, volta e sempre repetem, o curso ‘tá se tornando Licenciatura em Pedagogia com Ensino de Língua Estrangeira. Evolução pro curso? “2010, watch it go to fire”*
O que eu fico muito mais puto da vida é que eu tinha feito as porras dos P.A.s (planos de aula) justamente pro pessoal que já tem uma porra dum conhecimento prévio do idioma alemão. “Não, você tem que entender...” Entender... Começar a entender que estamos perdendo tempo tendo formação literária e lingüística? É preciso ter pra que, não vamos ministrar mesmo? Oficina de Ensino de Literatura? HA HA HA HA
Não me façam rir...
Como se já não bastassem os s MELHORES estágios SEMPRE serem pro pessoal de PORTUGUÊS, ainda me vêm com mais essa. Estágios R-E-M-U-N-E-R-A-D-O-S.
Essa veio – na minha opinião – pra completar o pacote, com os estágios não-remunerados e a falta de Latim na grade curricular no curso de Língua Estrangeira. Não tem disciplinas suficientes e tempo suficiente pra formar professores? Aumenta o tempo do curso e coloca as disciplinas! Pronto! Porém, a pergunta é: “Isso é interessante pra quem?” Pode ser pros alunos uma minoria esmagada e sem voz, não vejo interesse nos níveis superiores do ensino superior, Ministério da Educação incluso. Peraí! Existe interesse?

Um dia, eu ‘tava pensando... refletindo que as pessoas dão mais valor (obviamente) à língua portuguesa do que as estrangeiras - principalmente o alemão. Foda-se, tem gente que sabe que a Casa de Estudos Germânicos está presente na UFPA, mas que ignora completamente a graduação, a considerando completamente inútil/desnecessária à universidade (oh, ironia e estupidez! mas que estou começando a meio que concordar com isso).
Existem cursos que são necessários, porém as pessoas não dão o devido valor, como Filosofia e Sociologia, que trabalham com a alienação. O foda é que parte dos próprios escalões superiores, a idéia (e a execução a mesma) de que é melhor investir em medicina q traz resultados a curto prazo à população e não faz as pessoas pensarem - e isso é muito perigoso.
E é isso que vejo de camarote acontecer com a licenciatura de Língua Alemã na UFPA. Isso me apavora, isso me enfurece, isso me deixa completamente de mãos atadas e completamente sem ação, sem saber para onde direcionar minha raiva, a não ser terminar o curso o mais rápido possível e me livrar logo de tudo isso. Acordar de um pesadelo que durou todo este tempo.


Porque, isso... Sim, estamos vivendo acordados em um pesadelo.







Bis zu dem breakin fuckin neuen Post!

* “Do the Evolution”, Pearl Jam, Yield, 1998, letra de Eddie Vedder e música de Stone Gossard.

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