terça-feira, 20 de maio de 2014

CANÇÃO PARA KARLA!

FIM DE TARDE NUBLADO AMARELADO, AVERMELHADO E CINZENTO

“Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que, no meu mundo, algo se perdeu”
– Os Paralamas do Sucesso, “Seguindo Estrelas”, Longo Caminho, 2002.


EU ‘TAVA VENDO ALGUMAS FOTOS SUAS HOJE. Faz tanto tempo que acho que esqueci o cheiro de seus cabelos e não sei mais como é a maciez de sua pele quando está junto à minha. Ainda lembro, eu ainda consigo lembrar de seu sorriso luminoso como uma supernova, de seus olhos sorrindo vários sorrisos em particular, do desagrado em sua testa franzida, das suas bochechas infladas indicando irritação, das mãos inquietas de ansiedade.
Ainda vou lembrar do cheiro de seus cabelos depois que você saía do banho?
Ai então a foto, aquela foto. Rio de Janeiro, lembra? Não lembro o evento, você sempre dizia o nome mas lembro perfeitamente que eu não somente estava na cidade, mas bem próximo a você quando aquela foto foi batida, tão perto que poderíamos ter nos visto, esbarrado. “Minha mão na sua mão”, não é o que diz a música (qual música?)? Mas mãos em mãos muito depois, muito antes de seus lábios nos meus. Tudo sempre tão planejado mas a graça do primeiro beijo é não sê-lo – como o nosso não foi. Estava chovendo, lembra? Eu não sabia que fazia tanto frio em Pernambuco. Muito ao contrário daquela tarde da foto...
Quantas tardes desde aquela tarde? Quantos pores-de-sol desde quando sorristes teu nome da primeira vez?
Ontem... É sempre como se fosse ontem... Você com as sandálias nas mãos e pés afundados na areia enquanto seus tornozelos quebravam ondas de mar azul... A mesma tarde...
Lembro de te ver acordar... De te ver dormir... Aqui... Os circuitos não fazem som, não é possível ouvir estrelas nascendo e morrendo... Tão próximas e tão distantes...
Você, Karla... Tão próxima e tão...

Fim de tarde nublado amarelado, avermelhado e cinzento.
– Bisa, porque a senhora ‘tá chorando? – a menina perguntava com um sotaque nordestino muito carregado a avó, sentada em um banco frente ao imenso mar castanho com um texto recém-impresso em uma das mãos.

“Eu sempre vou estar perto de você.”
Gilnei


:: 19 e 20 de maio de 2014 ::
:: para Karla Fernanda Falcão Rodrigues de Fraga e Gilnei Daniel :: 

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