sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

conto sem título

[!sem título!]

ELA NÃO SABIA NO QUE PENSAR. Os cabelos enrolados e puxados para trás, torcendo seu pescoço. Os dedos apertando quase entrando em sua carne. A pica que dilatava a buceta e martelava o útero. Quando não gemia para acordar uma casa, rangia os dentes como um tubarão em direção inexorável à presa.
Ele era o irmão mais novo do amigo de escola. Ela estava na seca há quase dois meses e o fez tanto para enfim se saciar e enfim ser dona da situação quanto por acreditar que ele era “mais um virjão que precisava conhecer uma mulher de verdade”. Mas que ledo engano! De branca como uma boneca de porcelana, tornou-se escarlate quanto a bandeira do estado ou um buriti  maduro esperando para ser colhido: foi mordida, chupada, lambida, estapeada... “Hoje você vai ser a minha puta!”, ele gritava como um trovão. Ensandecido. “Imagina o tanto de punhetas que bati pra ti”, ele urrava enquanto colocava a língua toda ora dentro da buceta ora dentro do cu da ruiva tingida de farmácia, fazendo seus olhos verdes revirarem em seus eixos em todas as direções, abrindo as pernas com as mãos. Quando a língua estava dentro da buceta, dois dedos grossos dentro do cu. Quando a língua estava dentro do cu, dois dedos grossos dentro da buceta. Quase arrancou os mamilos ao mordê-los e chupá-los tal como quando o fez com a língua.
Perdera o ar novamente quando viu o tamanho do pau do moço. “Me fudi”, pensou em voz alta. Ele sorriu diabolicamente. “Devagar”, pedira. Prendeu a respiração quando ele colocou a camisinha e a colocou à beirada da cama, de pernas abertas e os quadris à margem. Perdeu-se em engasgos e soluços quando sentiu entrar. “Sua vadia apertada”, ele gemeu. “Puta que pariu”, ela gemeu, “é muito grande. Não coloca tudo”, pediu. Tarde demais, sentiu as bolas batendo à bunda. Tremia. Ele tirou à metade, mas não a aliviou. “Meu Deus”, sussurrou de olhos fechados. Se amaldiçoou por ter escolhido justamente aquele e não o magrinho que também usava óculos de lentes grossas ou o negro de lábios bem carnudos com problema de fala. “Não, negros tem pau grande e ele pode me partir no meio”, riu bem alto ao falar com uma colega de faculdade. “Pode gritar bem alto, sua puta”, ele disse depois lhe esbofetear a cara, “minha irmã também é escandalosa e meus pais ‘tão viajando a trabalho”.
Não tinha forças para chorar ou responder contra. Mas gemeu bem alto quando ele começou o vai e vem. Uma mão estava em seu ombro e a outra na cintura dele. Um breve momento em pausa antes dele colocar as duas mãos em seus ombros e começar a meter rápido. Teve certeza que a coisa ia piorar ao sentir as mãos no pescoço e os dedos no queixo, quase à boca. Acelerou. Enfim começou a bater no útero e os gritos ressoando pela casa. A irmã colocou o som nas alturas para não ouvir a moça. “Eu sabia que ainda ia te comer, sua vagabunda”, o gordo disse roçando a barba em um dos ouvidos, “cansei de falar isso pro viado do Eusébio e o fresco só ria da minha cara”, ela não diferenciava palavras, morfologia ou sintaxe em sua atual condição, “‘A Isabel? Mas nunca que tu vai conseguir comer, os caras mais fodônicos da escola e da faculdade não comeram, tu vai conseguir comer?’”, repetiu as palavras do irmão mais velho, amigo dela de escola. “Quer saber? A gente batia punheta junto pra ti, sua cadela”, dois dedos na boca da mulher, a mão segurando o rosto, vara verde não era nada comparando ao quanto ela tremia. Fechou as mãos em seus pulsos, gritos presos na garganta.
Ela saía para caminhar depois que acordava. Como ele estava de férias, lhe cabia levar os cachorros para passear assim que os pais acordavam. “Porra, mas a Elizabete também ‘tá de férias da universidade”, reclamou, “Vai logo, seu vagabundo”, os pais replicaram em coro. Ela trabalhava à tarde e o rumo da casa dele estava em seu trajeto. Se encontraram, ela o reconheceu e puxou assunto. Demorou para a ficha cair nele mas não perdeu tempo quando aconteceu. E lá uma punheta para a amiga de escola do irmão, (tal como a irmã mais velha) o perfeitinho primeiro da turma e homenageado da faculdade queridinho dos pais e professores e chefe e tios e o caralho a quatro, e ele sempre considerado o filho da puta inútil imprestável. “Te fode agora, Eusébio”, falava em voz alta, “‘tô comendo essa puta na tua cama, pra tu deixar de ser otário e parar de me sacanear”. SE ela ouvisse, a transa terminaria naquele momento. SE. Antes do fim da primeira semana, ela já estava de mãos dadas com ele, que não acreditava na situação. Na seguinte, além de o abraçar em público, já lhe pagava sorvete e fazia questão que a deixasse em casa. E no fim da segunda, ela de calcinha e sutiã sobre a cama. “Vem”, disse, “hoje eu sou só pra ti”. Por fetiche dele, a fez colocar as meias ¾ e os tênis. “EI!”, disse em voz alta ao sentir as primeiras mordidas e lambidas, “não me bate”, ao sentir as tapas, “eu fico toda vermelha e meus pais vão ver”. 
FODA-SE. Abriu as grandes nadégas da grande bunda redonda para colocar a língua no cu da “porcelaninha” (como era chamada pelos pais e professores). Cuzinho rosado, buceta depilada, mais rosada ainda. Para ela, era uma experiência nova: transar com um gordo, maior com ela na estatura, tamanho e largura e ter a sensação de ter os “buracos” invadidos por uma língua imensa e barba grossa à altura dos mamilos. “Deve ter pau pequeno”, a amiga dela da faculdade comentou, as duas e as outras à mesa riram bem alto, faziam o possível tamanho com uma das mãos, os risos preenchiam o bar e restaurante e pizzaria. Para ele também: a amiga do irmão mais velho – cobiçada só por todos que conhecia, mulheres e homossexuais do sexo masculino inclusive – e não as conhecidas do bairro, ou primas dos amigos ou amigas dos pais ou filhas destes (e ai dele se os pais ou maridos e pais destas soubessem!). “Deixa eu te chupar”, ela disse. “Oooooooooooooooook”, ele a puxou pelos cabelos.
“Caralho”, disse em voz alta, o pegou com uma mão, não conseguiu fechá-la. Não podia ver o sorriso debaixo da barba. Colocou a glande dentro da boca e sentiu a mandíbula abrindo quase ao máximo. “Isso vai me fuder”, disse olhando para o mastro. “Seja legal comigo, viu?”, pediu. “Pode crer que sim”. “‘Pode crer que sim’ o quê?” “Pode crer que isso vai te fuder valendo”. Isso foi a duas horas atrás, ele já estava montado nela de quatro ao chão, com o rosto nos antebraços, gemendo em voz alta, que podia ser ouvida da porta da casa. Um morango não estava vermelho como ela, marcas de dentes e mãos, uma poça de suor no quarto e a casa seria tomada pelo cheiro de sexo animal quando a porta fosse aberta. Sem mais lençol à cama e o case do violoncelo do irmão já ao chão sendo empurrado pela cama.  
“Hoje eu vou dar”, levantou decidida da cama. “Aquele gordo vai levar uma surra de buceta que ele nunca mais vai esquecer na vida”, entrou para tomar banho, “Vai ser a inauguração inesquecível daquele nerd virjão”, nem enxugou os cabelos “De hoje não passa”, colocou as camisinhas dentro da calcinha antes de vestir a legging. Prendeu os cabelos (“preciso retocar a pintura de cabelo”, pensou olhando para o espelho) e colocou o cordão com as chaves de casa. “Vou dar muito e vou acabar com aquele gordo”, boné pra trás e ritmo na corrida, “Vou dar muito e vou acabar com aquele gordo”. Estava estirada à cama, quase como um cadáver. Arfava forte. As mãos tremiam, tremia toda. Já completamente sem voz após o trovejar quando ele penetrou seu cu, mesmo tomando um anestésico e lubrificantes terem sido passados no local e proximidades (ele chegou até a misturar o anestésico com os lubrificantes) mas o tamanho de seu “instrumento” foi demais para a mulher. Sentia bater em sua garganta, quando não martelava diretamente seu cérebro. Por um momento, lembrou-se que ainda tinha que começar a advogar um caso importante para a promotoria aquele dia – aquele dia não mais. Ele ao chão, cigarro aceso e um copo de café. Antebraços nos joelhos e costas à parede.
Quando ela acordou, começava a anoitecer. Luz apagada. Virou-se com dificuldade, barriga e olhos ao teto. Estalou toda ao sentar-se à cama. “Vim sem maquiagem”, pensou consigo ao colocar os dedos nas olheiras, “devo estar horrível”. Lembrou-se onde estava, não tinha lençol para se cobrir. Levantou-se com mais dificuldade ainda, queria ficar/permanecer deitada mas tinha que voltar para casa, os pais deviam estar loucos de preocupação, uma vez que saía antes deles acordarem. Pior ainda, não levava telefone. “Porque porra ‘tô de tênis e meias?”, se perguntou ao ver as pernas, “Ai, meu Deus”, disse ao ver as marcas de mãos pelos braços e vermelhidões pelo corpo, “caralho, meus pais vão me comer viva quando verem isso”. Ele abriu a porta quando ela estava indo em direção ao interruptor para procurar as roupas. Ela, ao assustar-se, pôs as mãos à virilha e aos seios, não sabendo o que esconder. Ele riu, “pára com isso, sua louca, fudemos o dia inteiro e agora tu me vem com isso?”. “Fecha a porta”, ela pediu. “Não tem ninguém em casa, tira esses tênis e vem pra eu te dar um banho”.
Depois de um senhor sermão histórico-homérico dos pais sobre ter saído sem telefone e não ter avisado para onde ia e ter demorado uma vida para voltar e outro do chefe por ter faltado a um compromisso diversas vezes remarcado e adiado, novamente estirada à cama – mas enfim a sua. Novamente nua, cara no colchão, nem se perguntou porque os pais não tinham perguntado sobre as marcas vermelhas na cintura, barriga, braços, colo, quadris e pescoço. Ligações e mensagens de meio mundo ao telefone, nem quis ligar o notebook para ver os e-mails. “Pelo menos de blazer, não vão ver as marcas pelo corpo”, pensou. Quase não atendeu o telefone. “Isabel”, disse. “Isa, é a Marta”.
Ah, oi.
E ai? E o gordo virjão?
Rolou.
Rolou? E ai? Me conta.
Mulher... Ele me fudeu valendo. Eu nem te conto...
Como assim ele te fudeu valendo? Que aconteceu?
Ele não era o virjão que eu pensava, isso sem falar no tamanho do pau dele.
Mazuh caralho! Como assim, pau de jegue mesmo? [risos]
E ainda colocou no meu rabo. Vou ficar sem andar pelo resto da vida.
CA-RA-LHO-! [risos] Vai me dizer que ele também te deixou toda vermelha de tanto te chupar, morder e bater.
Caralho, Marta, ‘tô pior que nem morango maduro. Só tu vendo.
[risos] Puta merda, Isa. Só tu mesmo. Mas e ai? Vai rolar de novo ou vai deixar “prazamiga” também saber se ele é tudo isso? [risos]
Porra nenhuma! Aquele pau é só meu.
Pooooooooooooooooooooooorra, ruiva. Como assim? Se apaixonou pela pica do gordo mesmo? [risos]
E num é? Amanhã ‘bora almoçar juntas. Reúne o resto das putas que conto toda a história pra vocês.
Elas já ‘tão aqui e ouvindo a conversa toda.
Porra, Marta. Porra, Marta. Porra, Marta. 
Onde amanhã? Cardin ou La Vera?
[voz da Érica ao fundo] A Tia Joana tem promoção de dieta nos almoços de quinta. 
Pode ser mesmo. Quem mais ‘tá de dieta além de mim e da Moltrasia?
Praticamente todas nós, disque. Sempre essa história. [risos] A Bel ‘tá perguntando se esse gordo é o irmão do Kiesel, que fez o Médio com a gente. 
É, o Elias, irmão do Eusébio Kiesel, o lindão da nossa sala.
[risos gerais] [voz da Bel ao fundo] Porra, logo quem? Ele joga RPG e videogame com meus irmãos. Não tinha um menos gordo e menos nerd, não? [risos]
Esqueceu de falar “um menos roludo”. [risos delas] Mas sim, suas vadias, preciso terminar de dormir. Onde amanhã?
Na Tia Joana mesmo. Depois a Val desce contigo pro Tribunal de Justiça.
Perfeito. Beijo, Marta. Até amanhã. Beijos nesse bando de piriguete ai.
Beijão, Isa. Beijos das putas.
Telefone desligado. Ligação encerrada. Cochila por instantes que parecem ser horas. Levanta a cabeça. Telefone novamente. Telefone residencial. Ela atende. “E ai, mulher?”
Quem......?
Elias.
Ah! [silêncio] Como tu conseguistes esse número?
Pedi pra hackearem o telefone do Zé [Eusébio].
Ah! [sobrancelhas levantadas e testa franzida; “caralho”, ela pensa]
Só pra constar, tu não és a única Isabel que ele conhece.
Ah! [olhos fechados]
Liguei pra saber se estás bem.
Depois de ter levado um senhor carão dos meus pais e do meu chefe e ser zoada pelas minhas amigas por transar com o gordo nerd dito virjão irmão do bonitão gostosão do Ensino Médio, posso dizer que estou bem.
É, eu ouvi tua a conversa com elas.
COMO? [ela acorda realmente]
‘Te zoando, mulher. Só pedi pra hackearem o telefone do Zé pra pegar teu número. Vamos nos ver amanhã?
Pode ser. [ela sorri] Não colocando no meu cu, pode ser sim. Na sua casa?
Mesmo horário, pode passar aqui sim. Foda delivery, sabe?
Isso não tem graça. Já ‘tá fazendo gordice.
Ei, esse é meu charme [risos]. Beijos e durma bem, sua vadia.
Beijo e até amanhã, gordo filho da puta.
[silêncio]
Obrigado pela foda.
Sou eu que agradeço, mesmo tendo ficado literalmente fodida depois dela.
[risos] Ok, ok. Sempre que precisar, já sabe...
Foda-se, esse pau é só meu a partir de agora.
[risos] Ok, ok. Você manda. Sua exclusivista egoísta do caralho.
Foda-se novamente. Tenho que dormir. Beijo, beijo. E beijo nessa pica que é só minha a partir de agora. Beijo.
Beijo, sua puta. Até mais.
“Eu bateria uma siririca se tivesse força”, ela pensa novamente de cara no colchão. Mal sabe que vai acordar na hora de encontrar com as amigas no dia seguinte. “Nem, eu não vou dividir porra nenhuma”, ela ri com elas ao redor da mesa, “Arrumem os gordos barbudos picudos nerds de vocês que aquele é só meu”, risos que enchiam o local. “A gente pode ver, pelo menos?”, Catarina pergunta de forma debochada. “Podem ver e até filmar pra se matar na siririca depois, mas só isso”, a resposta. Antes do final do dia, o blazer e a saia e as roupas íntimas ao chão do quarto, ela o puxando pela barba e ordenando-lhe em gritos que não parasse para toda a vizinhança ouvir.



:: para Tinara Rodrigues Becker ::
:: agradecimentos especiais a Bruno “Immortal” Silva, Neuton Martins Vieira Filho e Dannyllo Borges [Londrina-PR] pela idealização do personagem “gordo nerd virjão” ::
:: 12 de fevereiro de 2015 ::

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