sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O DIA DO BURRO - um trecho

«Bom», Nery começou, «eu tinha uns quatorze, quinze anos. Eu ainda morava em Santa Mãe Laura. Sabem como é, eu precisava ser aceito em algum grupo. Não tinha um que eu me encaixava. Ai um amigo, o Lucas, a gente chamava ele de Luke, me apresentou pruns amigos deles...»
«Uma gangue.»
«Não. Sim. Diziam que a gente era uma gangue. Alguns dos nossos diziam “nós somos uma gangue”. Mas não. A gente preferia se ver como uma...»
«Como uma Ordem?»
«Yeah, como uma Ordem.»
«E qual era o nome dessa “Ordem”, sabichão? Ordem dos Cavaleiros Jedi?»
Todos riram.
«Perai», Guerin o cortou, «Santa Mãe Laura? A cidade industrial perto de Belém?»
«É, essa», Nery respondeu. «Na região metropolitana de Belém, quando juntaram Belém, Marituba, Santa Bárbara e Benevides em um só município que virou uma cidade e depois uma cidade industrial que virou pólo de produção de módulos e naves de combate durante A Ocupação. Eu já morava lá durante a anexação d’Os Quatro...»
«E porque Santa Mãe Laura?»
«Porque eram os nomes das mães dos prefeitos dos municípios na época e das esposas de dois deles. Também dizem por ai que eram os nomes das amantes de alguns desses fudidos. Sabem como é, ia ser muito desagradar as amantes. Vai saber o que elas iam fazer.»
– Rafael Alexandrino Malafaia, “O Dia do Burro”, dezembro de 2015 [conto ainda em construção].

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