sexta-feira, 4 de março de 2016

REFLEXÃO DO DIA (VÁ À MERDA, CARMEM DOLORES!)

“Carmem Dolores, cronista conhecida, que publicava semanalmente no jornal O Paiz, foi uma das primeiras a expor, em 1905, um pensamento contrário a todo esse efusivo entusiasmo que se inseminava sobre as práticas esportivas em geral, naquele momento, incentivadas principalmente pelo futebol:
‘(...) Não, nunca entre nós se apregoou tanto o prestígio brutal da força muscular.
Chega a ser humilhante para os intelectuais, que muito geralmente tem mais cérebro do que pulso.
Mas, em que pese aos senhores entusiásticos das lutas romanas e às admiradoras neuropáticas de um bíceps em violento relevo, confesso que eu acho simplesmente repulsivo um homem que luta, congestionado, suado, bestializado, as mãos sujas e escorregadias, o tórax arquejando como um folle, as pernas retesadas, os largos pés espalmados – todo ele um animal bruto e furioso (...).’ (DOLORES apud PEREIRA, 2000, p.48)
Por mais que as afirmações da cronista atestem o reconhecimento público que os esportistas estavam adquirindo, expõem a sua repulsa ao culto à força física. Para ela e para outros de seu círculo, as praticas esportivas não ajudavam em nada o desenvolvimento do intelecto e, pior, representavam um desprestígio à classe erudita e intelectual do período.”
– Breno Pauxis Muinhos. O futebol e a Literatura no Brasil no início do século XX. IN: As crônicas de Carlos Drummond de Andrade e Nelson Rodrigues sobre futebol. Trabalho de conclusão de curso orientado pela Prof.ª Dr.ª  Valeria Augusti. Universidade Federal do Pará: Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas, 2011.

E eis que então eu realmente gostaria muitíssimo de saber o que essa animal diria se tivesse acompanhado o advento das artes marciais no Brasil a partir da década de 1950.
HA HA HA

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