terça-feira, 22 de março de 2016

WAKING LIFE E REFLEXÕES FILOSÓFICAS - parte três

“A criação vem da imperfeição. Parece ter vindo de um anseio e de uma frustração. É daí, eu acho, que vem a linguagem. Quero dizer, veio do nosso desejo de transcender o nosso isolamento e de estabelecer ligações uns com os outros. 
Devia ser fácil quando era só uma questão de sobrevivência. ‘Água’. Criamos um som para isso. ‘Tigre atrás de você!’ Criamos um som pra isso. Mas fica mais interessante, eu acho, quando usamos esse mesmo sistema de símbolos para comunicar tudo de abstrato e intangível que vivenciamos.
‘O que é frustração?’ Ou o que é ‘raiva’ ou “amor’? Quando eu digo ‘amor’, o som sai da minha boca e atinge o ouvido de outra pessoa, viaja através de um canal labiríntico em seu cérebro, através das memórias de amor ou de falta de amor. O outro diz que entende, mas como sei disso? As palavras são inertes. São apenas símbolos. Estão mortas, sabe? E muito de nossa experiência é intangível. Tanto do que percebemos é inexprimível. É indizível.
E, ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros e sentimos ter feito uma ligação e termos sido compreendidos, acho que temos uma sensação quase como uma comunhão espiritual. Essa comunicação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos.”
– Do longa-metragem em animação Waking Life, de 2001, roteiro e direção de Richard Linklater.

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