sábado, 11 de junho de 2016

PRIMEIRO-POEMA-PARA-NALINE

PRIMEIRO-POEMA-PARA-NALINE

O que é um humano senão um aglomerado de impulsos e paixões bertrandrussellianas?
O que sou eu senão mais um animal apaixonado impulsionado por poesia e raiva e frustração e desespero?
O que sou eu senão mais um animal que escreve poesia?
Como não escrever Poesia ao saber de vossa existência
Como não fazê-lo, uma vez que sois e representais e incarnais o Impulso e a Paixão e a Inspiração e a Poesia?
Direito ao ponto, sem enrolações, sem meias-palavras de duplo sentido:
Como ter palavras para descrever o quanto quero desbravar vosso corpo ainda vestido
E então depois desbravá-lo então já despido
com as mãos e com a boca e com o nariz e com a barba?
Onde?
Qualquer lugar onde Vós sedes tanto companhia e parceiragem e Senhora e Rainha e Ama
quanto café-da-manhã e almoço e jantar e refeições intermediarias e ataques e pilhagens vikings à geladeira no meio da madrugada?
Como deve ser Vós dormindo?
Silenciosa como um cadáver?
Barulhenta como um ônibus velho prestes a dar prego?
Como deve ser Vós acordando?
Cabeleira loira desgrenhada sobre a pele entretons de Cáucaso e Bronzear e olhos negros
olhos negros reflexivos sobre o quê?
Pés debaixo das cobertas?
Quando os meus aos vossos?
Será que, um dia, meus pés aos vossos?
Será que, um dia, vos ver acordar
(com minhas mãos às vossas? com vossas mãos às minhas?  
com minhas mãos à vossa barriga e vossa cabeça sobre meu braço?
com o mínimo de roupas ou mesmo sem alguma?)?
e falando em Vós acordar sem roupa:
como deve ser subir com a boca e barba de vossos pés a vossos ombros e pescoço e orelhas e boca
como não desejar me perder-sem-caminho-de-volta em vossas pernas e quadris e ancas e tórax e abdome?
E falando em vossas pernas e quadris:
como seria pedir, seria pedir demais partires-me ao meio com vossas longas e perfeitas pernas e vossos talhados braços, dentro a quatro paredes?
seria pedir demais comeres minha carne, beber e banhar-se com ele e vestir minha pele como um guerreiro triunfante frente ao adversário derrotado?
não seria exagero pedir para me ensurdecer aos gritos e não conseguirmos respirar nem mesmo pela boca?
Lista de Exageros... Lista de Absurdos... Lista de Desejos...
isso porque já ser-me-ia realmente satisfatório somente
amanhecer convosco, entardecer convosco, anoitecer convosco...
E como será Vós recebendo este poema?
Rindo, sorrindo, vermelha-aos-versos, mordendo-os-lábios-aos-versos, olhos-arregalados-aos-versos... COMO?
E então – a partir de agora e desde sempre – Musa Inspiradora,
atenderás pelo menos o mais humilde dos pedidos deste servo
ou continuará (somente) a brilhar eternamente e impavidamente?
Naline!

:: para Naline Gouveia ::
:: 06 a 10 de junho de 2016 ::

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