segunda-feira, 8 de agosto de 2016

CANÇÃO PARA RAFAELA

“A mulher negra tem força de viver no sangue, e, de todas as mulheres, de todas as raças, cores e credos, a mulher negra é a mais sábia, porque ela teve que passar por todos os preconceitos e machismos que toda mulher passa ao longo dos séculos, porém, ela teve que esfregar na marra, sua força, seu valor e sua capacidade na cara de uma sociedade imbecil e racista, que aos poucos e muito lentamente, se desprende de conceitos idiotas baseados apenas na cor da pele.
Hoje, graças a força que corre nesse sangue guerreiro, a mulher negra é sinônimo de sabedoria, liderança, beleza e inteligência, porque teve que fazer e saber, tudo em dobro das demais, para provar sua genética guerreira e sua capacidade de vitória.”
– Keila Sacavem

Não vou julgar ninguém por ficar feliz pela medalha olímpica da Rafaela Lopes Silva. É uma felicidade merecida mesmo, merecida pra caralho, merecidíssma. Quem viu a presepada que aconteceu com ela devido Londres-2012 sabe do que ‘tô falando, eu vi na TV quando aconteceu e fiquei “caralho...” 
[ela mesma foi um dos principais motivos de eu ter voltado a treinar até ter chego aos JUBs de 2012 e 2013 e então obtido a almejada sho-dan, em outubro de 2014 (sendo que a Ina e o Sussurro-do-Amanhecer-Nublado foram que mais me deram força pra não desistir dessa quest). mas este texto não é pra falar de mim.]
A vitória da Rafaela serve como um roundhouse kick de barra estourada na cara de todo mundo que falou aquele monte de merda pra ela em 2012, que – a meu ver – não foi somente pra ela e sim pra todos os negros, e principalmente para todas as mulheres negras. Eu não duvido que o Teddy Riner, campeão MUNDIAL de judô OITO VEZES, tenha ouvido as mesmíssimas coisas e até piores, sendo negro e francês, porém... Pode-se dizer que o caso é outro? “As coisas mudam de nome, mas continuam sendo”, já disse Gessinger. Todavia, como mulher e como mulher NEGRA, as dificuldades sempre se mostraram maiores para Rafaela e ela, como judoca que honra o obi, se curvou às dificuldades somente para aplicar-lhes as projeções e eis o ippon
Contudo, não deve-se desconsiderar a atual conjuntura politica do país e o caos social do estado do Rio de Janeiro. Todavia, Como bem sabe-se, uma das bases do heroísmo é a superação, e a judoca fluminense mostrou-se composta desta. Sim, o heroísmo e a superação de quem ajuda esse grande país grande a continuar em frente, mesmo acorrentado por todos e por si mesmo. Se a Inês Brasil é a dita, por muitos, “cara do Brasil” (que mais se assemelha ao “mítico” Maguila, sendo Inês uma continuação do “legado” do boxeador), Rafaela Lopes Silva é a cara que devemos buscar de fato dar ao nosso país, devido seu comprometimento, determinação, garra e vontade inexoráveis, inabaláveis e, por isso, exemplares.
E, por fim: agora sim, eu ‘tô vendo o judô brasileiro DE VERDADE em ação. Agora sim, eu ‘tô vendo judocas – não-somente brasileiros – irem com VONTADE, hoje negada foi com sangue nos olhos, mostrando tudo o que sabe. Pessoal ENFIM ligou o “botãozinho do foda-se” e ainda ativou o nitro, com Rafaela à frente, portando o estandarte de Kano-Jigoro-sensei em uma mão e Gungnir na outra, mostrando o caminho para Valhalla!
E tem judô olímpico até sexta, 12 de agosto. Que os deuses permitam e façam que o pessoal continue nesse nível ai, porque é ele que queremos ver. Tal como os deuses foram para com Rafaela Lopes Silva, a tornando humanamente e judocamente imortal.
HAIL!

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