terça-feira, 8 de novembro de 2016

“A leitura não é um movimento linear, progressivo, uma questão meramente cumulativa: nossas especulações iniciais geram um quadro de referências para a interpretação do que vem a seguir, mas o que vem a seguir, mas o que vem a seguir pode transformar retrospectivamente o nosso conhecimento original, ressaltando certos aspectos e colocando outros em segundo plano. À medida que prosseguimos a leitura, deixamos de lado suposições, revemos crenças, fazemos deduções e previsões cada vez mais complexas; cada frase abre um horizonte que é confirmado, questionado ou destruído pela frase seguinte. Lemos simultaneamente para trás e para a frente, prevendo e recordando, talvez conscientes de outras concretizações possíveis do texto que a nossa leitura negou. Além do mais, toda essa complicada atividade é realizada em muitos níveis ao mesmo tempo, pois o texto tem ‘segundos e primeiros planos’, diferentes pontos de vista narrativos, camadas alternativas de significado, entre as quais nos movemos constantemente.”
– Terry Eagleton, Fenomenologia e Teoria da Recepção, 1997. Tradução de Waltensir Dutra com revisão de João Azenha Júnior.

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