quarta-feira, 9 de novembro de 2016

[sobre as – até agora e desde sempre – infrutíferas discussões entre a “Esquerda” e “Direita” no Brasil]

“O diálogo não é um mero ‘rebuliço sonoro’, mas é uma arte essencial que marca a dinâmica humana. Na visão de um dos grandes pensadores do século XX, Hans George Gadamer (1900-2002), o diálogo é ‘um atributo natural do homem’, que ocorre mediante a linguagem (GADAMER, 2002, p.143). Distintamente do intercâmbio que se trava na ruidosa vida social, o diálogo traduz a comunicação recíproca e o encontro entre duas pessoas com a peculiaridade de sua visão e imagem do mundo. São dois mistérios que se encontram, que partilham suas experiências e buscam se compreender mutuamente, estando igualmente abertos para o recíproco enriquecimento. O diálogo não apaga, porém, a diferença do outro, que permanece velado por um “mistério intransponível”. É um exercício essencial de ampliação da singularidade, pois deixa uma marca nos parceiros. O que revela o diálogo verdadeiro, sublinha Gadamer, ‘não é termos experimentado algo de novo, mas termos encontrado no outro algo que ainda não havíamos encontrado em nossa própria experiência do mundo (...). O diálogo possui uma força transformadora. Onde um diálogo teve êxito ficou algo para nós e em nós que nos transformou. O diálogo possui, assim, uma grande afinidade com a amizade.’ (Idem, p.247)
O diálogo, enquanto conversação verdadeira, é sempre uma operação inquietante e arriscada, pois coloca em questão a autocompreensão dos interlocutores. Nele está implícito o desafio da provocação do outro, que reclama para si o reconhecimento de sua singularidade e dignidade. Em toda conversação respeitosa ocorre um processo de mudança, que pode ser mais radical, envolvendo uma experiência de conversão, ou mais controlada, embora também autêntica. Igualmente nesse caso ocorre a apropriação de uma nova possibilidade para o sujeito, que vê seu mundo enriquecido pelo toque da alteridade.”
– Faustino Teixeira, O imprescindível desafio da diferença religiosa. 2012. 

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