quarta-feira, 15 de março de 2017

“(...) creio caber a seguinte pergunta: como entender, por exemplo, o surgimento das sociedades modernas ocidentais, a organização do mundo do trabalho, a eficiente burocracia do aparelhamento estatal, bem como as formas de produção do sistema capitalista sem associar tais fenômenos a um modelo de ciência? Certa racionalização do mundo dar-se-ia, e este era o postulado, na mesma proporção em que as imagens religiosas do mundo fossem desaparecendo. Diante do que tenho tentado afirmar, é importante perceber que se um determinado modelo científico conseguiu estabelecer seus estatutos e tais estatutos são tomados, pelo menos no Ocidente, como posicionamento universalista de validação da racionalização do mundo e de orientação humana, e que tal processo ao menos se apresentava como resultado radical do desencantamento das imagens religiosas do mundo, posso afirmar que a religião, diante da moderna compreensão de ciência, não se configurava como outra coisa senão como uma questão heterônoma ao próprio trabalho da ciência e à nova concepção de humano. Ou seja: depois de enfraquecido todo sentido que a religião emprestava ao mundo e à vida, era necessário relegá-la à extrema indigência.”
– Douglas Rodrigues da Conceição, “A religião em cena: perspectivas de investigação”. IN: Horizonte, Belo Horizonte, v. 9, n. 23, p. 883-896, out./dez. 2011.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Você está em solo sagrado!
Agora entalhe com vossas garras na Árvore dos Registros e mostre a todos que virão que você esteve aqui!!!