terça-feira, 4 de abril de 2017

“Não se troca de moradia facilmente, pois não é fácil abandonar nosso próprio mundo. A casa não é um objeto, "uma máquina dentro da qual se vive"; é o universo que o homem constrói para si mesmo, imitando a criação paradigmática dos deuses, a cosmogonia. O ato de construir e o de instalar numa nova moradia são, de certa forma equivalentes a um novo começo, uma nova vida. E cada começo repete o começo primordial, quando o universo viu a luz pela primeira vez. Mesmo as sociedades modernas, com o seu alto grau de dessacralização, as festividades e o júbilo que acompanham o ato de estabelecer-se numa casa nova, ainda preservam a lembrança da exuberância festiva que, há muito tempo, marcava o incipit vita nova.”
- Mircea Eliade (1907-1988), “A casa como centro do mundo”. IN: Ocultismo, bruxaria e correntes culturais - ensios entre religiões comparadas. Trad. Noeme da Piedade Lima Kingl. Belo Horizonte: Interlivros, 1979.

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