segunda-feira, 1 de maio de 2017


“Nossas lâminas se encontraram com um estrondo que ecoou pela floresta, e quase o matei no primeiro golpe. Foi mais por sorte que ele deteve parcialmente minha estocada feroz, e a ponta de minha espada lhe atravessou toda a pele da mandíbula, de modo que o sangue lhe jorrou na parte da armadura que lhe protegia o pescoço. Ele gritou feito um cão louco, mas o ferimento lhe deu juízo e o fez perceber que não estava diante de uma brincadeira de criança.
Ele brandiu sua lâmina com toda a força e habilidade, e não o achei um espadachim médio. Bom para mim, que havia aprendido a arte pela melhor lâmina da França, pois este patife de barba negra era forte, habilidoso, e cheio de truques sujos e subterfúgios assassinos, através dos quais eu soube que ele não era um homem honesto, mas um sicário, um daqueles matadores pagos que vendem suas espadas a qualquer um que possa lhes pagar o salário.
Mas eu não era inocente naquele jogo, e minha rapidez de olhos, mãos e pés era tal, que nenhum homem poderia igualar. Falhando em todos os truques e estratégias, o barba-negra tentou me derrubar com pura força bruta, despejando golpes trovejantes sobre minha guarda com toda a sua força. Mas isto não lhe foi de melhor serventia, porque, apesar de eu ser mulher, meu corpo era como se fosse de molas de aço e ossos de baleia, e tinha a arte de desviar seus golpes antes que eles fossem bem começados e, deste modo, evitar sua fúria total. Dentro em pouco, sua respiração começou a assobiar através de seus dentes expostos, a espuma começou a se misturar com o sangue em sua barba, e sua barriga a ofegar sob sua couraça.”
– Robert Ervin Howard, “Espadas para a França”. IN: A Espadachim e outras Aventuras Históricas. Trad. Fernando Nesser de Aragão.
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